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quarta-feira, 10 de julho de 2019

ALÉM DO FUTEBOL, ALÉM DO ESPORTE.

     Neste mês de Julho o mundo assistiu duas grandes finais do futebol. Na França, a Copa do Mundo de Futebol Feminino chegou a patamares de audiência jamais alcançados desde de sua abertura até o encerramento protagonizado pelo duelo entre americanas e holandesas. Já na América do Sul, a competição de seleções masculina do continente foi realizada no Brasil e teve sua final com os anfitriões enfrentando a ascendente equipe peruana.
     Os dois jogos tiveram um ponto em comum: o favoritismo predominante de uma equipe. Brasileiros e norte americanas golearam a opinião popular e especializada por todo o planeta. E havia uma razão para isso. Multicampeões não só dos torneios que estavam em disputa mas de vários campeonatos de mesma ou até mesmo maior competitividade, era fato constatado que a maioria esmagadora das opiniões direcionasse os grandes campeões do futebol feminino e masculino ao favoritismo de levantarem as taças ao final das competições, o que, de fato, aconteceu.
     Mas o que, particularmente, me chamou a atenção não foi a vitória, e sim a diferente postura comportamental dos derrotados. Desde a configuração tática até os gestos emocionais, as reações estavam bastante opostas. Holandesas nervosas, errando passes e num misto de abatimento, decepção mas conformidade ao final do jogo. Peruanos arrojados, com marcação alta em campo e a sensação de uma guerra civil perdida após o término da partida. Isso causa uma reflexão bastante importante: é fato que a aceitação da derrota não tem a obrigação de ser igual para todos. Mas o que gera reações tão opostas para o mesmo sentimento?
     Aderindo ao bom e velho cavalheirismo, vamos começar falando da jovem seleção holandesa. E acredito já termos "matado a charada" na frase acima ao falarmos de juventude. A média de idade da laranja mecânica feminina é menor do que 26 anos, fato que o psicólogo e especialista em recursos humanos Abdijam Pinheiro entende ter sido um diferencial para a conflito emocional da equipe européia ao final da partida: "A juventude atual sofre com crises de ansiedade, depressão, frustração... E ter as expectativas não atendidas é uma das razões que geram esses problemas. É uma geração anos noventa ou até mesmo anos dois mil, onde a sensação da derrota é mais sentida em virtude de uma cobrança indireta de resultado, exigido de forma muito agressiva". Explicou. Questionado sobre a reação das holandesas caso a mesma final tivesse acontecido há vinte anos, Abdijam respondeu não haver tanta diferença comportamental assim: "Nos anos noventa seria basicamente a mesma coisa sim. Principalmente pela pouca idade das meninas da holanda".



O abraço pós derrota das holandesas. Um misto de decepção com sensação de 
orgulho pela colaboração de um novo legado iniciado na Copa do Mundo de 2019. 
(imagem: goal.com)




Mas o psicólogo acredita que existe uma razão fundamental no que se relaciona a superação do resultado. 
O profissional que também atua em recrutamento e seleção e tem como função analisar o perfil comportamental e psicológico das pessoas diariamente, acredita que o pensamento consolador da equipe holandesa, vem da consciência de uma continuidade por ter colaborado na reconstrução de um futebol feminino forte, como nunca visto:

"As holandesas estão conscientes de um legado. Que o futebol feminino foi disseminado. E elas estão felizes também por fazerem parte disso". Frustrações de uma juventude contrastadas com relação de orgulho pela consciência de um bom trabalho realizado. talvez um misto de sensações que tenha ilustrado bastante os nervosismos, lágrimas e agradecimentos das meninas da Holanda ainda em campo, após a final do campeonato mundial.
      Nervosismo e lágrimas que também acompanharam a derrota peruana para o Brasil na final da Copa América. Mas, neste caso, os peruanos estavam mais "pilhados". Uma postura de quem lutava por algo a mais do que futebol. O publicitário Roberto Périssé opinou sobre o que acredita ser a razão de uma postura tão diferente entre as meninas da holanda e os jogadores do Peru: "O latino é mais emotivo do que o holandês. Condição social e histórico de vida, influenciam muito para isso". Opinou. Périssé vai além, e diz que um povo socialmente subdesenvolvido tende a sentir mais uma derrota pessoal ou profissional: "A pessoa já tem menos do que deveria ter. Uma perda para ela é muito mais sentida do que para os outros". Disse o experiente profissional com vasta experiência na área de comunicação social.
     Para Roberto Périssé, o vice campeonato do Peru não foi mais sentido apenas em virtude de uma frustração em não entregar uma alegria a uma população que já sofre com um cotidiano de desigualdade social, mas também diante de um histórico de vida dos próprios jogadores: "Muitos deles vieram de famílias pobres, e tem também dentro de si um pouco dessa sensação". Reforçou Perissé.


Paolo Guerrero, maior artilheiro da história do futebol peruano, inconformado
com o primeiro gol do Brasil na final da Copa América.
(fonte: lance.com.br)



     A realidade é que um simples dado ilustra bastante as diferentes sensações de derrota no contexto social dos países. Enquanto a economia da Holanda tem apenas 6% da sua população abaixo da linha da pobreza, os peruanos estão com um número 300% maior do que o país europeu com 25% de pessoas vivendo em condições de necessidades extremas. Estatísticas que fazem parte da conjuntura social de toda uma nação, e que certamente invadem a mente de qualquer atleta que representa seu país, na ideia de entregar alegria a uma população que diariamente sofre com tantos problemas.
     O fato é que muitas partidas de futebol começam e terminam além das quatro linhas de um gramado, e os efeitos da vitória ou da derrota são totalmente interligados à condição psicológica de uma pessoa. Não importa se pela faixa etária ou pela vida social que ela ocupa ou ocupou. É o esporte mostrando que, mais do que competir, é preciso entender porque as lágrimas da derrota geralmente são mais sentidas do que a emoção e o largo sorriso de um triunfo


fontes de informação:
https://www.suapesquisa.com/paises/peru/economia_peru.htm
https://www.suapesquisa.com/paises/holanda/economia_holanda.htm









segunda-feira, 1 de outubro de 2018

NOVAS ELEIÇÕES... NOVAS?

      Talvez não seja a primeira vez que eu começo um texto aqui no blog dizendo: "Não costumo escrever muito, blá blá blá blá..." Mas é melhor ser sincero do que ficar dando voltas... Pois bem, seja faltando tempo ou aplicando o mesmo incorretamente o fato é que minha Coluna GE-ral fica meio abandonada as vezes sim. Agora, por exemplo, escrevo enquanto aprecio meu digníssimo carro tomar um banho no lava jato. E assim vamos...
      Falando em lava jato eu lembro de eleições, e falando em eleições eu fico até arrepiado. Mas, na verdade, não seria pra ficar?
     Não!!!!!! Eu não estou dizendo que sou a favor desse ou daquele... E principalmente que acredito na mudança, dadas as circunstâncias de intenções de voto. Só estou destacando como o clima está tenso. Primeiro a corrupção arrebentou os pilares de quem acreditava em uma era próspera na virada do século. Depois veio o impeachment que, para alguns era golpe, para outros era só impeachment mesmo... Mas para todos, pouco adiantou. Agora comenta-se da violência e de cidades que eram referências de tranquilidade virarem constatadas moradas do tráfico de drogas, armas e, lógico, aumento gradativo e impiedoso da criminalidade. Casos de Angra dos Reis e alguns pontos da região dos lagos, no Rio de Janeiro.
     Tudo isso gerou o velho enredo das promessas. Um promete mudar tudo com radicalismo, outros prometem combater  o radicalismo, outros prometem resolver, mas sem radicalismos. E dá-lhe radicalismo!!!! A impressão que tenho com toda essa fúria descomunal dos candidatos, é que mesmo querendo combater o radicalismo eles também se tornam radicais, e acabam por flertar com um veneno que eles mesmos desejam imunizar.
      Como de costume já ouvi presidenciáveis falando verdades, ponderando situações em discursos plausíveis, apontando diretrizes corretas mas, principalmente, falando também tantas bobagens que até mesmo um leigo em política como eu consegue ficar espantado com tamanha ignorância ou, no que mais acredito, cara de pau. É gente dizendo que vai mudar a lei (isso dói quando dizem...), que vai investir em segurança, educação e saneamento básico mas na hora de responder "com que recursos?" nós descobrimos que a grande maioria faltou as aulas de matemática no ginásio,  enfim... Haja criatividade para pensar tanto e chegar a conclusão que somos todos idiotas.
     Bom... Se vai mudar alguma coisa com essas eleições eu não sei (gostaria), mas não é possível que depois de tantas manifestações nos últimos anos, tantos escândalos, tantas operações da polícia federal, tantas reportagens, tanta fama negativa do país fora das nossas fronteiras e além dos oceanos, nós veremos aumentar o número de eleitores que escolherão seus candidatos em troco de um frango, uma caixa de cervejas ou um churrasco "comunitário". Afinal de contas, já está mais do que comprovado que não é com a política do "farinha pouca meu pirão primeiro" que as coisas vão mudar. Até porque esse pirão já azedou várias vezes e o pior, cansou de faltar farinha pra fazer mais.
    
     

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

VEM DE CAMAROTE. Cocktail de lançamento do Camarote Lounge Carioca agita a noite na Cidade Maravilhosa.

     O Rio já respira carnaval. E alguns eventos que ocorrem na “night” da cidade mais visitada do Brasil em fevereiro atestam de forma totalmente positiva o quanto essa festa é importante para a cidade. E certamente o Cocktail de lançamento do Camarote Lounge Carioca ocorrido na noite de segunda-feira (29) no Novotel - Botafogo, foi um dos responsáveis por revestir a semana que antecede os desfiles da Sapucaí de mais ansiedade e expectativa.

    Uma festa fantástica, luxuosa e com presenças que proporcionaram um verdadeiro desfile de simpatia e diversão dentro belíssimo cenário lounge em que foi transformado o salão do Hotel.

    A Comissão de Frente do cocktail ficou a cargo de Maurício Dutt (@mauriciidutt), que apresentou aos convidados um pouco da curta mas bem sucedida trajetória do Camarote, ilustrando com um vídeo que deixou todos estarrecidos com as opções de entretenimento, relaxamento, estética, gastronomia, drinkeria, e conforto que o espaço proporcionará aos foliões VIPs a partir da sexta feira de Carnaval. Em seguida, Os Destaques. A musa do Lounge Carioca, Adriana Bombom (@adrianabombom) e a madrinha Mayara Motti (@mayaramotti) abrilhantaram ainda mais a noite. Beleza, simpatia e samba no pé, muito “samba no pé”...

    A Pura Cadência, Bateria da Unidos da Tijuca elevou a pulsação ao nível máximo com direito a passistas e uma sequência de coreografias de samba num baile de corpos esculturais que fizeram os convidados se sentirem literalmente dentro da avenida.

    O quesito Harmonia teve direito a show solo de Sax e um momento a capela dos convidados cantando em uníssono um clássico do rock brasileiro. George Israel (@georgeisraeloficial), o lendário músico de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro, alterou o ritmo mas manteve o swing musical da noite. Em um repertório que aliou o nostálgico ao moderno, transitando desde de Psycho Killer - Talking Heads a Happy - Pharrell Williams, e terminando com a emblemática Pintura íntima - Kid Abelha, Israel contagiou o salão nobre exibindo solos do seu saxofone junto aos convidados, em cima do sofá e das cadeiras. Um show de performance que se repetirá no domingo de carnaval dentro do camarote juntamente com o show de rock nacional da banda Trio Caribu (@triocaribu).

    Uma noite cheia de surpresas, gente bonita, personagens marcantes e apenas uma expectativa: o início da maior festa do planeta chegar o mais rápido possível para que ocorram momentos certamente ainda mais intensos, revestidos de energia e adrenalina. Pois se longe da Marquês de Sapucaí a energia foi dessa forma, de frente para o espetáculo será indescritível e inenarrável mensurar. Que venha o carnaval!

Por: Gê Ataide.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Sua vida ficou mais prática ou mais complexa?

     Parece realmente um passado não tão distante assim, quando no começo da noite de sexta feira, minhas duas irmãs e eu esperávamos meu pai chegar do trabalho para irmos juntos à locadora do Gélson em busca do nosso principal entretenimento do fds: assistir filmes no nosso videocassete JVC. Bom... Eram os anos noventa quando sequer se escrevia fds, vc, bjs, obri, vlw, tql, blz, ou qualquer outra sigla... Aliás era uma época boa porque conversar pessoalmente ainda estava na moda...
     Hoje em dia eu fico pensando se a tecnologia nos deu mais praticidade ou agregou complexidade nas nossas vidas. Pois ao mesmo tempo que somos ágeis agora para pagar contas, marcar reuniões, agendar saídas com a galera, viajar, ou pesquisar tarefas de escola, fakul ou qualquer outra coisa, parece que no fim do dia sempre faltou algo para resolver, e o pior, na maioria das vezes faltou mesmo.
      O site revistagalileu.globo.com fez uma matéria bem legal projetando como serão nossas vidas daqui há vinte anos. Dois temas me chamaram bastante atenção. O primeiro é em relação a nossa futura relação com a internet. Ela será como a eletricidade para nós, estará em tudo. Não haverá um momento em que vamos pensar se o lugar tem ou não Wi-Fi por exemplo, será tão prático, tão óbvio, tão evidente que, terá realmente uma relação parecida com a que temos hoje em dia com a lâmpada de casa que acendemos ao anoitecer. Ela estará lá, simplesmente, naturalmente, normalmente.
      Agora vai uma palavra nova que aprendi: tecnogênico. Pois é, tem a ver com a maioria dos pepinos que resolvemos socialmente hoje em dia. Problemas tecnogênicos são aqueles criados pela tecnologia. Basicamente quando algo foi feito para nos dar praticidade e aí vem uma mente maldosa e pensa que essa "novidade" também pode ser usada para coisas erradas. Pois então, a má notícia é que essa maluquice só vai piorar tá... É só você dar uma viajada na mente. Imagina se implantarem um chip no seu braço para que ele seja o seu cartão de banco por exemplo. Ótimo!!!! Vou andar sem carteira! Mas o assaltante vai pensar: "Beleza, agora eu só preciso de um facão!". Foi meio ridículo mas você entendeu (estou fora da minha cidade escrevendo esse texto numa praça com o tempo fechando e 20% de bateria, releva vai...).
     Por sinal agora vejo crianças voltando da escola e parando para curtir o balanço da pracinha e jogar bola... Tudo bem que estou em uma cidade bem menor que o Rio (Teresópolis), mas ver quinze pré adolescentes brincando e apenas dois segurando seus computadores de mão, também conhecidos como celulares é "quase" me sentir em 1995 dinovo quando eu curtia mamonas e ficava decorando as catorze músicas do CD dos caras só com a ajuda da rádio, sem as indispensáveis e atuais colaborações de YouTube ou Spotify para este feito.
     Talvez a cidade pequena será uma referência daqui há poucas décadas para isto... Não apenas para a fuga do trabalho e da rotina da cidade grande, mas também da tecnologia. Fico imaginando uma pousada com os dizeres "Relaxa, aqui não temos Wi-Fi" ou "Tente guardar seu celular e ver o que o mundo te oferece" Ah já sei, que tal apenas "Desconecte-se".
      Putz... Aí passa uma freira agora, sinônimo de todo o tradicionalismo possível e comenta com uma noviça ao seu lado "...Eu converso com ela no face as vezes..." Agora minhas expectativas definitivamente viraram utopia.
     É meus amigos, não tem jeito. O passado não volta, a tecnologia nos transforma e o caos dos barulhinhos de whatsapp, Insta e outros app's continuarão sendo a principal razão de irmos a farmácia comprar Dorflex. Fazer o quê? Vamos em frente. Só espero que não venha um doido aí é resolva criar uma Skynet... Aí embolou de vez... "Jesus toma conta" Haja Schwarzenegger para nos ajudar... Hahahahaha...

Fontes de pesquisa: http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2014/07/evolucao-tecnologica-como-sera-nossa-vida-daqui-20-anos.html

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Aonde você mora? Aonde você foi morar?

     SOU CAPIXABA COM MUITO ORGULHO! Nascido em Vila Velha, criado na Serra e feliz pelos amigos e pela história que construí lá pelos dezesseis anos da minha vida. Mas hoje, no começo da tarde, conversando com minha diarista que, assim como eu, é mais uma integrada em terras cariocas (no caso dela, filha das Minas Gerais) eu comecei a me questionar sobre até que ponto é válido e correto exaltar esta frase. Somos capixabas, mineiros, brasilienses, pernambucanos e outros mais ou somos exclusivamente brasileiros.
     Em uma pesquisa feita pelo IBGE e que virou reportagem do portal de notícias G1 há cinco anos atrás, quando nosso país "ainda" totalizava 190.755.799 milhões de habitantes, os migrantes, ou seja, aqueles que saíram de seus estados de origem para outras fronteiras nacionais, totalizavam um número maior do que 27 milhões de pessoas (14,5%) da população. Isso quer dizer que a cada dez pessoas que você encontrar nas ruas, pelo menos uma vai conversar contigo soltando aquele sotaque que você acha engraçado, bonito e, logicamente, bem diferente do seu. Só no eixo Rio/São Paulo, residem mais de 10 milhões de brasileiros que abandonaram suas cidades, muitas vezes, em busca de oportunidades melhores de trabalho. Nordestinos são muitos... Uma incrível quantidade de pessoas que em sua grande maioria se notabilizaram pela disposição no trabalho, seja ele qual for. Mas a mesma unanimidade que agrega ao nordestino uma característica bem peculiar para a labuta, o transforma em alvo de um dos apelidos mais preconceituosos batizados pelos nascidos nas duas maiores cidades populacionais do Brasil. 
"Ah é tudo Paraíba!"
Está aí uma frase que os cariocas e paulistas adoram, mesmo quando o sotaque nem mesmo é nordestino. Na realidade, eles tem um outro "ditado regional popular" que mostra o quanto isso pouco importa para eles:
"Pra mim, saiu do eixo Rio/São Paulo é tudo Paraíba..."  
Qual migrante morador da cidade maravilhosa ou da terra da garoa nunca escutou essa frase? Um preconceito que de tão enraizado na sociedade brasileira, torna-se ironicamente carinhoso, pois a grande maioria passa a dizer sem maldade, intenção de ferir, atacar, desprezar... Porém, com uma vontade bem notória de mostrar com um certo "q" de deboche o seguinte pensamento: 
"Você não é daqui, meu caro..."


O rei Roberto Carlos, nascido em Cachoeiro de Itapemirim - ES, mas mora no Rio desde a juventude. (fonte da imagem: http://www.luizberto.com/a-musica-do-mundo-peninha/roberto-carlos-76-anos)


     Na realidade os que sempre moraram em seus estados jamais vão compreender a dificuldade que é de se reinventar em uma outra terra que, embora também brasileira, possui uma cultura tão diferente em vários sentidos. Mas quando você se muda, existe um inimigo e aliado com o mesmo nome acompanhando você... O tempo. Primeiro ele te dilacera. Te faz acreditar que a adaptação não vai acontecer, te leva a lembrar incessantemente de um passado recente, onde você andava por onde conhecia, falava o que todos entendiam e podia se vestir sem medo de escutar uma piada caipira ou receber uma risadinha do canto de boca. Mas depois o tempo te fortalece. Vai inserindo você naquele meio, na forma de se expressar, através dos amigos que constrói, na adaptação ao layout do local e por fim, você passa, realmente, ironicamente, devotamente e porque não dizer, misteriosamente, a fazer parte daquele lugar. 

     Aí você se se pergunta? Como isso pode ser? Qual explicação para isso? Talvez a resposta não seja de um novo vínculo e sim de um nó que foi desatado sem que se percebesse. O jovem escritor colunista Alberto Brandão Publicou um texto no site papodehomem.com.br  chamado: "O que ninguém conta sobre mudar de cidade". Ele resume com bastante propriedade em uma frase como nos desligamos aos poucos de uma cultura para nos adaptarmos a outra.
 
"Um dia voltamos para visitá-los (refere-se aos amigos) e eles têm assuntos que não conseguimos mais acompanhar. Nossos interesses não cruzam como antes e tudo parece meio fora de sincronia. O peso da amizade de tantos anos faz o trabalho de manter a união, mas sentimos que o compasso vai se perdendo." 

     E quando isso acontece (e pode ter certeza que acontece mesmo) o migrante se sente realmente distante do seu lugar de origem. E é exatamente na fronteira entre os costumes desprendidos e absorvidos, que vem a confortante descoberta de que ser brasileiro não é ter apenas uma cultura, um sotaque, e até mesmo um estado federativo. Como diz o narrador Luís Roberto, "esse país de dimensões continentais chamado Brasil", nos proporciona a sensação de que temos um pedaço de nós em muitos cantos por onde passamos, visitamos e moramos.


Pelé, o rei do futebol. Nascido em Três Corações - MG e consagrado em Santos - SP. (fonte da imagem: http://blogdoodir.com.br/2010/10/duas-historias-sobre-pele/)

  E então, concluí com minha diarista e companheira de migração, que não existe mineiro, paulista, carioca, capixaba ou paraíba; existe o brasileiro, única e exclusivamente. Somos do Rio, das Alagoas, do Amazonas, Amapá, Paraná, Goiás... Somos tudo... Tudo! Tudo! Comemos como mineiros, cantamos como goianos, dançamos como os baianos, negociamos como os paulistas, falamos como os cariocas. E a busca por sacanear um amigo ou conhecido de outro estado, nada mais é do que um cachorro que ao morder o próprio rabo, vai perceber da forma mais dolorida possível o quanto aquilo é parte integrante de si mesmo.
     Por isso, senhores que jamais abandonaram seus estados... Vou tomar a liberdade de invadir e inverter o seu pensamento. Quando você pensar o famoso e já citado acima: "Você não é daqui, meu caro..."   Sugiro procurar saber de onde você realmente é. Para onde foram seus avós na juventude? De onde eles vieram? Onde residiam seus pais quando crianças? E principalmente, não se esqueça de que um dia, a terra em que você morar pode não ser a mesma que você nasceu. E isso não fará de você melhor, ou pior do que ninguém.

     

quarta-feira, 29 de março de 2017

E o erro permanece...

     Recentemente a CBF anunciou mudanças no seu estatuto. Frase normal... Vamos causar um pouco mais de impacto: Recentemente a CBF anunciou mudanças no seu estatuto. A reunião foi feita no dia do jogo da seleção brasileira contra o Uruguai pelas eliminatórias da copa do mundo. E então? Achou normal ainda? Beleza... Vamos colocar mais tempero nessa sopa: Recentemente a CBF anunciou mudanças no seu estatuto. A reunião foi feita no dia do jogo da seleção brasileira contra o Uruguai pelas eliminatórias da copa do mundo e não contou com a participação dos representantes dos clubes brasileiros.
     ooooooopaaaaaa... Agora não é possível que você não entendeu que tem algo, no mínimo, estranho no ar.
Vamos lá... Imagina que você vai organizar  uma festa com dois amigos amanhã. Mas hoje a noite os seus brothers se encontram sem você e decidem tudo: hora de saída, o que levar, como ir e quando voltar. E então no dia seguinte só comunicam a você. Mas tem um detalhe: a sua presença na festa é fundamental pois você não só fez o papel de promoter, como será o responsável pelo entretenimento do evento, fará stand-up ou será o músico da noite, por exemplo. Fala a verdade? É ou não é para ficar indignado com sua galera? Bom, talvez agora você saiba como os clubes brasileiros estão se sentindo após essa mudança do estatuto.
     Mas sejamos um pouquinho mais atrevidos na história da festa com seus amigos. Imagine que, ao chegar no local você descobre que as pessoas não procuram você para informações. Os garçons, cozinheiros, seguranças e equipe de limpeza, seguem as instruções dos seus dois amigos. Respostas iguais, ensaiadas, propositais, para que você seja uma voz  menos presente, um voto vencido.
      No caso da CBF o voto vencido são os clubes... É simples de entender: quando houver eleição para presidente da instituição, os clubes da série B terão peso 1, os da série A peso 2 e as federações PESO 3. Eeeeeeitaaaaaa....
Isso quer dizer que se todos os clubes se unirem para votar em um mesmo candidato e as federações votarem em outro, vai ser como um 7x1. No caso, as federações seriam a Alemanha OK? Kkkkkk
      Aí quando Pitty canta: Nada é orgânico, tá tudo programado. E eu achando que tinha me libertado; eu me lembro do Tite...
     Por quê???? Como assim??? Vejam só: O Tite virou a grande figura positiva do país. Voltou a dar orgulho para uma pátria que se via perdida na economia, desacreditada na política e pouco brilhante nos gramados. De repente, somos a primeira seleção a se classificar para a Copa da Rússia. (Além da Rússia, é claro né... ) Pronto! Futebol, paixão nacional dinovo!
      Mas e quando o Tite sair? Será que vai começar o jogo de cartas marcadas dinovo? Será que o público só foi usado e ganhamos o Tite para calarmos a boca e esquecermos as mazelas sociais enquanto o Brasil chega com força para a Copa, ou a CBF aprendeu com os recentes casos de corrupção no país e dentro da própria entidade?
Sinceramente... Depois do jeito que esse estatuto foi alterado, é impossível não se ver pessimista em relação ao futuro.

Por: Ge Ataide.

quinta-feira, 23 de março de 2017

POR QUE PAPAI? PORQUE É JOEL.

Eu não sei, caro leitor, se você teve a oportunidade de ter convivido com seu pai. Talvez tenha tido um avô como figura paterna, um tio, ou até mesmo um grande amigo ou vizinho. O fato é que independente da pessoa responsável por exercer essa função na sua vida, tenha certeza que, se você tem hoje uma grande admiração por ela, isso se deve a capacidade que ela teve de te marcar pelas suas frases e atitudes.

  Quem tem a honra de ser chamado de pai, tem também a responsabilidade nas costas de orgulhar, inspirar, motivar, agregar.    

    Mas um pai também chama atenção! Corrige, Morde para depois assoprar (Ah, coisa de pai…). O pai briga não no intuito de desmoralizar, mas de ensinar e almejar para seu filho um desempenho melhor, uma postura mais correta e até mesmo como se defender de algo ou alguém que atravessar o seu caminho. Para alguns pais: “Bateu, revida!”, para outros “Bateu, toma a outra face…” Mas para todos tem sempre a frase: “Só quero que você amadureça”.

     Existem os pais maldosos, cruéis, arrogantes e insensíveis, mas “na boa cara”, esses não nasceram para serem pais… Os verdadeiros pais te conquistam com o olhar, e até adotam você como filho, mesmo quando na sua vida já existe quem faça essa figura. Mas é daí se você já tem um pai? Ter outro é ter mais aprendizado ainda! Acima de tudo, uma mão para te levantar e uma boca para te aconselhar na hora certa.

    Quando vi “papai Joel” chegando com a delegação do Boavista no hotel Ramada Recreio onde sua equipe  está hospedada, para pré temporada, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro; percebi que ele estava descendo do ônibus com as mãos nos ombros de uma outra pessoa em uma conversa ao pé do ouvido, daquelas que só quem quer dar conselho faz… Sucinta, discreta, paterna. Não havia jornalistas, fotógrafos, fãs, tietagem. Apenas o sol escaldante de meio dia e alguns funcionários da portaria. E isso foi o que mais fascinou.

    Às vezes somos para os outros o que queremos que os outros sejam, não o que nós, de fato, somos. Sorrir para a câmera pode ser mais uma ironia e menos uma simpatia. Com Joel foi diferente. Sua figura paterna se fez presente naturalmente porque ele não apenas conquistou esse apelido, ele sempre o teve dentro de si.

    Ao técnico, comandante, professor e, papai, Joel Santana fica a admiração por presenciar e compreender a razão de ser tão querido no meio em que atua. Aos jogadores do Boavista, uma sugestão: aproveitem! Afinal de contas quem é pai, quer ver seus filhos sempre bem, atuando com dignidade, evoluindo com consciência e coletividade e principalmente, vencendo no final. E mesmo quando poucos acreditarem, há quem acredite. E ele será o cara que estará de pé ao lado do campo, olhando para você acompanhado e abraçado com sua habitual prancheta.

Por: Gê Ataide.

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geataide@hotmail.com