Pois é... Foi essa a frase que Cazuza "esbravejava" em sua canção nos anos oitenta. Hoje temos mostrado nossa insatisfação principalmente nas ruas, mas nossos políticos...
Amigos, é fácil criticar. É a coisa mais prazerosa e uma das mais estimulantes que fazemos. Mas se tem algo que o ser humano ainda não aprendeu é que não adianta falar, tem que agir. Vejamos de uma forma simples: estamos em uma crise e as medidas do governo, que já estava sofrendo críticas dos mais variados segmentos, não agradaram. Então chegaram os "heróis" da oposição. Ela que tanto critica, aliás, acredito que seja este seu principal adjetivo: "criticar". Pois bem, e quando vemos a oportunidade dos nossos " heróis " se unirem ao povo das ruas que clama por soluções... Nada ainda.
Sinceramente gente, não dá desse jeito... Como nós poderemos aceitar uma crise, um baixo salário, uma alta da inflação e um dólar acima de três reais se não percebemos a atitude de quem deve fazer alguma coisa? Pediram pra economizar água, estamos aí!!! Pediram espetáculo na Copa do Mundo, mole pra gente!!! Pediram manifestações sem baderna, dito e feito!!! Então porquê quando somos nós que pedimos as coisas se arrastam?
Não sou de levantar bandeira, até porquê acredito que o momento não é para isso. Não quero defender governo, oposição, candidato, presidente, agitador, nada! Só nunca ouvi falar de crise que tenha sido sanada sem a união para gerar a solução. Então, embora já seja de conhecimento geral a rivalidade entre governo e oposição, seria muito legal se ao invés de perderem tardes brigando e responsabilizando uns aos outros nesse jogo de quem errou mais, nossos votados pensassem juntos em como sair dessa crise e fazer a economia voltar a ficar decente. Afinal de contas é para isso que nós pagamos vocês.
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quinta-feira, 16 de abril de 2015
"Quero ver quem paga pra gente ficar assim".
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Você bebe o que bebiam?
Querido leitor;
Quantos anos você tem? Nasceu nos anos oitenta? Ou viveu os anos oitenta? Era criança nos anos noventa? Ou já podia beber uma Kaiser com os amigos? Bom, de uma coisa eu sei. Seja qual for a memória que você tiver dos anos oitenta e noventa você há de convir que os bebedores de hoje em dia são muito mais amparados e felizes do que nossos papais e mamães.
Estava dando uma olhada na internet e percebi o quanto somos privilegiados. Só para ilustrar com alguns dados (seguindo sua dica, senhora minha esposa...) uma matéria de 2008 do site diariodocomercio.com.br anunciava um crescimento de 20% ao mês no faturamento de bebidas. Tem noção? Isso quer dizer que em dados do seculo XXI, se um bar vende, por exemplo: R$5.000,00 em um mês, no próximo os caras podem faturar R$6.000,00; e no próximo R$7.200,00. Agora imagina em um ano? E outra! O mesmo site diz que o consumo per capita de cerveja no Brasil é de 56,4 litros. E não tem desculpa de preço não! Quer uma prova? gazetadopovo.com.br , matéria de 2014. Diz que o aumento de 2,25% nas bebidas frias deve fazer o valor médio do cardápio subir até 12% nos bares, Ou seja, Chapar o coco está caro, mas ninguém retira do orçamento.
Mês passado estava tocando em um bar de Jacarepaguá com um dos meus trabalhos musicais, e só via Heinecken, Budweiser e Amstel (que foi trazida ao Brasil pela Heinecken). Descobri que o bar Faz4 era conhecido como "o bar das importadas", e o principal: estava lotado. Há alguns anos atrás era difícil imaginar uma cena dessas no Rio de Janeiro em um bairro que não fosse da zona sul. Hoje, a cultura da bebida está completamente multiplicada pelas marcas e marcas espalhadas por aí. Mesmo se você não bebe, tenho certeza que conseguirá me dizer pelo menos oito marcas de cerveja. Não precisamos fazer uma viagem tão longa no tempo para lembrarmos que ir a um bar e pedir uma cerveja, era receber em troca uma outra pergunta: Skol, Brahma, Antarctica ou Kaiser? Já pensou hoje? O cara teria que ficar o dia inteiro decorando a quantidade de "cervas" existentes para nos oferecer. Antes, fazer festa americana era mais fácil. Hoje, se não combinamos direito, nossas caixas de isopor parecem mais o festival da cerveja. Caipirinha nós temos de limão, morango, maracujá, kiwi, abacaxi e o mais revoltante: com Vodca. Já percebeu o contraste?
E não é só do álcool que estou falando. Chá gelado? Tinha na mesa? Suco em caixinha? Tinha em abundância? Recentemente bebi até um refrigerante vermelho, com sabor de groselha e nomeado de Guaraná Jesus... Energéticos de dois litros, Isotônicos com cada vez mais sabores, Iogurtes Grego, light, naturais, desnatados, integrais e fermentados; Matte para fazer, Matte em copo, Matte em lata, seja Matte Leão ou Matte Viton. Guaraná agora não é só com gás, você também pode beber Guaravita ou Guaraviton; Sucos em pó com cada vez mais aroma e sabor; e posso até colocar cerveja nesse parágrafo, pois temos a bebida mais consumida do mundo em sua versão sem álcool.
Pois é meus amigos... Quando você sair para beber hoje, seja um refri, Ice, ou uma clássica cervejinha, lembre-se que você é um privilegiado pois tem variedade e facilidade para encontrar a maioria das coisas que pensar. Mas não se esqueça que essa avalanche de novas bebidas, só chegaram também para nos mostrar que beber é uma arte. Então, seja consciente e deixe uma boa razão para as novas gerações produzirem mais bebidas. Em resumo: Se beber não dirija, não faça merda e não pense que é o Capitão América ou a Michonne do The Walking Dead.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Por que a maioria das mulheres ainda não entende futebol?
Queridos leitores:
Neste fim de semana pouco vi ou soube sobre os acontecimentos da mídia, pois estava mais preocupado em carregar tijolos e cimentos na minha casa do que qualquer outra coisa. Mas foi tentando me atualizar quase na madrugada de segunda, que comecei a desenvolver a pergunta título deste texto.
Bom, antes de começar a falar sobre isto, digo que gostei da Juliane Moore ter vencido o óscar de melhor atriz, e fiquei triste pois queria que o Michael Keaton ganhasse o de melhor ator. Mas vou dizer o quê? Não vi nem um filme, nem outro, se a estatueta foi pro Eddie Redmayne, então tá bom né. Mas nem sei quem é... Pelo menos de nome... Mas a partir de hoje saberei...
Mas vamos falar sobre futebol. Calma mulheres, desta vez estou com vocês. Acontece que ontem enquanto devorava um prato generoso de comida as onze e alguma coisa, estava vendo o reprise de Flamengo e Madureira que jogaram na tarde de domingo. O jogo terminou 1 a 1. Mas assisti um lance que passou a ficar mais marcado na minha mente do que os próprios gols do jogo. Vamos explicar de um modo simples. Tudo começou quando um jogador do Flamengo tocou para outro na grande área, para ele fazer o gol. Ele driblou o goleiro, dobrou os joelhos e se estatelou no gramado. O goleiro até tocou nas pernas dele, mas o juiz entendeu que ele se jogou e não deu pênalti. PARA TUDO! CONGELA!
(...) (...) (...) Agora vamos para outro jogo. No mesmo dia jogaram Fluminense e Vasco (aliás, o Fluminense tem sido tão freguês do Vasco nos últimos tempos como o próprio Vasco pro Flamengo hein!). E neste jogo aconteceu uma cena bem familiar deste texto. O jogador do Vasco tocou para outro na grande área, para ele fazer o gol. Ele driblou o goleiro, dobrou os joelhos e se estatelou no gramado. O goleiro até tocou nas pernas dele, mas o juiz entendeu que ele se jogou e não deu pênalti. Lendo este texto você pensa: lances iguais. E foram. Tanto que os dois juízes deram a mesma coisa, ou melhor, não deram pênalti. Correto? Mas então me digam senhoras, senhoritas e senhores, por que os comentaristas de um jogo deram razão ao juiz e os profissionais do outro jogo não deram? E hoje, pela manhã, ainda vejo matérias dizendo: Jogo polêmico! Juiz não deu pênalti a favor do Vasco... E coisa e tal... Gente, nada contra as opiniões contrárias... Aliás, até admiro, e muito, os comentaristas do jogo entre tricolores e cruzmaltinos, mas baseado em situações como essa eu reforço: é por isso que a maioria das mulheres não entende futebol.
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| Foto: http://feitoparahomens.com.br |
Como diz Arnaldo Cézar Coelho, a regra é clara! mas as opiniões são sempre controversas. Tudo bem que não tenho o que reclamar da minha esposa, ela entende linha de impedimento! Mas como vamos captar novos clientes para nosso negócio de "assistidores de futebol, de pelada a Champions league", se esse debate nunca acaba?
Pois então mulheres, tenho uma má notícia para vocês. O futebol precisa de polêmica. A mídia precisa criar lances discutíveis, caso contrário, aqueles programas que vocês nunca entendem porquê nós homens assistimos depois da partida, repetindo tudo que acabou de passar no jogo, não existiria. É parecido com o Candy Crush que vocês jogam: tudo se repete, mas em velocidades e tensões diferentes. E a vida segue. Se eu ligar a tv agora, alguém deve estar debatendo sobre futebol, sejam nos jogos que citei ou no campeonato Senegalês.
Mas, na realidade, as opiniões polêmicas rodam por todos os lugares. Essa semana assistia Discovery Home Health com minha esposa e sogra (pela simples regra de quem ligou a televisão primeiro). Era um daqueles programas do tipo: "Aquela mulher se veste como um espantalho! Vistam e tratem de maquiar ela com dignidade!" (Coitado do espantalho...). E me chamou atenção o fato de que quanto mais aquele esquadrão da moda (acho que lembrei o nome do programa...) vestia a mulher com roupas mais sofisticadas e maquiagens revolucionárias, minhas amadas mulheres da sala respondiam: " Ficou horrível!", "Nossa, que mau gosto..." , "Esse até que eu gostei..." , "Hum, péssimo!".
Então façamos um acordo mulheres: vocês continuam nos vestindo como bem entendem, contrariando muitas vezes os esquadrões, tropas e batalhões de moda que tem por aí, e nós usamos o look moderno para irmos ao bar e assistirmos a próxima rodada do campeonato de futebol. Combinado?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Opinião... De agora em diante.
Meus queridos leitores;
A partir da presente data iniciarei um novo módulo de postagens no Coluna GE-ral. Em face de tantas transformações, principalmente do universo relacional, decidi criar redações menos informativas e mais opinativas.
Sendo eu o único escritor do blog, tenho conversado com amigos e percebido que suas solicitações são mais direcionadas ao que penso do que ao que é largamente noticiado. Vejo com grande alegria a vontade dessas pessoas em saber meu ponto de vista. Sinal que há respeito. E sendo assim, buscarei transformar o Coluna GE-ral, exatamente no que seu nome propõe, um espaço onde Gê Ataide escreverá "ao seu ver" assuntos de forma generalizada.
E enquanto dirigia meu carro na selvageria que eles também chamam de: trânsito do Rio de Janeiro, entre um pedestre fora da faixa e uma fechada, observava os outdoors, lojas e comentários nos comércios. E foi quando percebi que, falar de tudo, na realidade é quase falar de apenas três assuntos.
Esporte, TV, Política... Assuntos corriqueiros mas que sempre ouvimos ou vemos por aí, gostando ou não. O esporte porque fazemos parte de um país onde nossos habitantes tem grande talento para várias modalidades, mas infelizmente a qualidade dos nossos jovens talentos é inversamente proporcional ao investimento do governo. Já entramos na política. Quer mais... Sabemos de todos esses erros, mas preferimos descobrir quais serão as próximas cenas da novela das nove ou se a nova temporada de um seriado enlatado americano já começou. Pronto! Estamos falando de TV.
Ou seja, está tudo encadeado. Vivemos isto todos os dias. E seja em uma novela de Aguinaldo Silva ou no aclamado The Walking Dead, lá está a crítica social maquiada entre mocinhos ou zumbis. Um dia destes cheguei em casa e lá estava minha esposa vendo o tal de Once Upon a Time. Ela logo disse: "Estou começando a ver um seriado muito bom, vem assistir comigo!". E vi. Mas sem ser um integrante da seriadomania existente em minha casa, logo desisti. Mas entendi a ideia (ou pelo menos acho... Já que o tal de Lost, terminou sem que eu entendesse se tinha acabado ou não), mocinhas, vilões e príncipes conectados ao mundo real mostrando que o conto de fadas existe. Mas... Pra que precisamos acreditar em conto de fadas? Resposta política: porque a sociedade sempre precisou de heróis para combaterem seu maior vilão: a corrupção. Por isso nos debruçamos sobre a ideia de um seriado onde a magia resolve tudo, ou em outro onde acreditar que o mundo está enfestado de zumbis será a solução para criar uma nova civilização, mesmo que mais radical.
Bom, acho que acabei iniciando uma discussão em um texto onde só queria informar algumas alterações neste blog... Só eu mesmo... Mas foi válido. Quem sabe no próximo texto terei a ajuda de Lois Lane. Nessa moda de personagem e mundo real, vai que cola né.
Até.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Qual é a senha?
O que esperar dos nossos planos de saúde quando mais precisamos? Eficiência? Praticidade? Ou bom atendimento? Bom, se me perguntarem, acredito que responderei ser o somatório dos três. Mas infelizmente ainda falta muito para isso acontecer.
O discurso parece radical, mas posso dizer com a experiência de um paciente e impaciência de um acompanhante: em meus últimos oito comparecimentos a hospitais e laboratórios cobertos pelo meu plano só consegui excelência em atendimento em apenas um. É isso mesmo, com o perdão da redundância e das letras garrafais necessariamente eu reforço: apenas UM. Mas entre todos os outros sete declínios de serviços prestados vividos anteriormente, onde também destacam-se mais de duas horas para atender uma criança de colo em uma emergência em Vitória - ES, e deixarem minha noiva esperando mais de meia hora em outra emergência completamente vazia em uma madrugada de segunda feira em Jacarepaguá - Rio de Janeiro, o que mais me deixou perplexo foi a tal história da senha.
Tudo começou quando necessitei executar um raio x do tórax. Dada a evolução dos exames radiológicos nos últimos anos, imaginei que seria tão fácil quanto comprar pão na padaria da esquina, mas a dificuldade e o descaso dos laboratórios especializados foram tão surpreendentes quanto escutar um padeiro gritar: "Gente! Estamos sem pão pois o trigo acabou..." Tive três experiências diferenciadas e desagradáveis em menos de uma semana. Em um laboratório fui informado que os agendamentos estão sendo realizados para três meses consequentes; em outro até tentei buscar alguma informação, mas sequer conseguir entrar pela porta e dar dois passos, tamanha era a quantidade de gente e faces mal humoradas fazendo cadastro; no terceiro liguei para os dois telefones disponíveis na internet. Sequer alguém me atendeu. E foi deste momento em diante que a senha entrou na minha vida.
Em um conceituado e sofisticado laboratório carioca também interligado a uma grande rede de hospitais, consegui algumas orientações; pena que o trigo ainda não havia chegado e meu pãozinho francês ainda viria com dificuldade. O atendente de telemarketing informou: "Senhor o atendimento para raio x não é por agendamento, é por senha. São dezesseis senhas de manhã e outras dezesseis a tarde. O senhor precisa chegar cedo pois elas em muitos casos acabam rápido." Após ouvir aquela recomendação e me projetar para uma fila do SUS, decidi, de forma desesperada, seguir seu conselho, haja vista todo o meu desgaste de experiências anteriores. O que eu não sabia era que meu stresse seria triplicado. Então leiam e entendam amigos, o quanto estamos mal representados por um serviço que lida com o nosso mais precioso bem: nossa saúde.
Decidi comparecer para retirar a tal senha na parte da tarde. Seguindo a informação de que os papéis eram distribuídos a partir do meio dia e meia, cometi o incrível engano de chegar dez minutinhos depois. Vocês já imaginam o que aconteceu não é? Tentei argumentar a necessidade daquele exame, escutei da atendente a seguinte frase: " O senhor pode sentar e esperar alguma desistência, mas eu não posso garantir nada." Respirei fundo, mas percebi que nem com meu tórax aberto dificilmente conseguiria alguma compaixão daquela funcionária, que ganha para fazer o que faz. Processos Seletivos... Eficazes... Então no dia seguinte, sacrificando mais uma programação do meu trabalho, resolvi radicalizar! E às dez e cinquenta e sete da manhã, lá estava eu pronto para ser com folga o primeiro da lista. Fui o sétimo... Resultado: vinte reais de estacionamento e mais de quatro horas para conseguir fazer o exame após adquirir a dourada senha da radiologia. Mas a tarde não foi monótona, enquanto aguardava escutava histórias e relatos de outros pacientes revoltados, e acreditem, se eu começar a contá-las, este texto certamente vai virar um livro.
Diante de toda aquela deficiência gerada por um serviço privado, é impossível não imaginar: será que uma pessoas em situação igual a minha mas atendida pelo sistema público consegue a proeza de executar esse exame a tempo de evitar que sua doença alcance patamares ainda mais delicados?
O fato de eu não citar os hospitais e laboratórios onde vivi tanto descaso são pela simples razão de ao escutar depoimentos dos vários pacientes que aguardavam atendimento nesta tarde, cheguei a conclusão que o problema vai além de um plano de saúde ou grupo de saúde privada: é generalizado. E com tudo que passei para conseguir um simples exame de tórax começo a entender o porque tantos amigos e conhecidos seguem uma recorrente e incorreta frase de forma tão veemente: "Hospital eu passo longe! Só procuro quando estou muito doente."
O discurso parece radical, mas posso dizer com a experiência de um paciente e impaciência de um acompanhante: em meus últimos oito comparecimentos a hospitais e laboratórios cobertos pelo meu plano só consegui excelência em atendimento em apenas um. É isso mesmo, com o perdão da redundância e das letras garrafais necessariamente eu reforço: apenas UM. Mas entre todos os outros sete declínios de serviços prestados vividos anteriormente, onde também destacam-se mais de duas horas para atender uma criança de colo em uma emergência em Vitória - ES, e deixarem minha noiva esperando mais de meia hora em outra emergência completamente vazia em uma madrugada de segunda feira em Jacarepaguá - Rio de Janeiro, o que mais me deixou perplexo foi a tal história da senha.
Tudo começou quando necessitei executar um raio x do tórax. Dada a evolução dos exames radiológicos nos últimos anos, imaginei que seria tão fácil quanto comprar pão na padaria da esquina, mas a dificuldade e o descaso dos laboratórios especializados foram tão surpreendentes quanto escutar um padeiro gritar: "Gente! Estamos sem pão pois o trigo acabou..." Tive três experiências diferenciadas e desagradáveis em menos de uma semana. Em um laboratório fui informado que os agendamentos estão sendo realizados para três meses consequentes; em outro até tentei buscar alguma informação, mas sequer conseguir entrar pela porta e dar dois passos, tamanha era a quantidade de gente e faces mal humoradas fazendo cadastro; no terceiro liguei para os dois telefones disponíveis na internet. Sequer alguém me atendeu. E foi deste momento em diante que a senha entrou na minha vida.
Em um conceituado e sofisticado laboratório carioca também interligado a uma grande rede de hospitais, consegui algumas orientações; pena que o trigo ainda não havia chegado e meu pãozinho francês ainda viria com dificuldade. O atendente de telemarketing informou: "Senhor o atendimento para raio x não é por agendamento, é por senha. São dezesseis senhas de manhã e outras dezesseis a tarde. O senhor precisa chegar cedo pois elas em muitos casos acabam rápido." Após ouvir aquela recomendação e me projetar para uma fila do SUS, decidi, de forma desesperada, seguir seu conselho, haja vista todo o meu desgaste de experiências anteriores. O que eu não sabia era que meu stresse seria triplicado. Então leiam e entendam amigos, o quanto estamos mal representados por um serviço que lida com o nosso mais precioso bem: nossa saúde.
Decidi comparecer para retirar a tal senha na parte da tarde. Seguindo a informação de que os papéis eram distribuídos a partir do meio dia e meia, cometi o incrível engano de chegar dez minutinhos depois. Vocês já imaginam o que aconteceu não é? Tentei argumentar a necessidade daquele exame, escutei da atendente a seguinte frase: " O senhor pode sentar e esperar alguma desistência, mas eu não posso garantir nada." Respirei fundo, mas percebi que nem com meu tórax aberto dificilmente conseguiria alguma compaixão daquela funcionária, que ganha para fazer o que faz. Processos Seletivos... Eficazes... Então no dia seguinte, sacrificando mais uma programação do meu trabalho, resolvi radicalizar! E às dez e cinquenta e sete da manhã, lá estava eu pronto para ser com folga o primeiro da lista. Fui o sétimo... Resultado: vinte reais de estacionamento e mais de quatro horas para conseguir fazer o exame após adquirir a dourada senha da radiologia. Mas a tarde não foi monótona, enquanto aguardava escutava histórias e relatos de outros pacientes revoltados, e acreditem, se eu começar a contá-las, este texto certamente vai virar um livro.
Diante de toda aquela deficiência gerada por um serviço privado, é impossível não imaginar: será que uma pessoas em situação igual a minha mas atendida pelo sistema público consegue a proeza de executar esse exame a tempo de evitar que sua doença alcance patamares ainda mais delicados?
O fato de eu não citar os hospitais e laboratórios onde vivi tanto descaso são pela simples razão de ao escutar depoimentos dos vários pacientes que aguardavam atendimento nesta tarde, cheguei a conclusão que o problema vai além de um plano de saúde ou grupo de saúde privada: é generalizado. E com tudo que passei para conseguir um simples exame de tórax começo a entender o porque tantos amigos e conhecidos seguem uma recorrente e incorreta frase de forma tão veemente: "Hospital eu passo longe! Só procuro quando estou muito doente."
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Dois mil e treze.
Se perguntarem pra mim o que tenho a dizer sobre 2013 responderei muitas coisas óbvias, mas outras inacreditáveis, muitos casos rotineiros mas também surpreendentes. Histórias que você ouviu, viu, acreditou ou preferiu não crer.Vi manifestações pelo Brasil, e o mundo abraçando nossa causa. Vi Dilma ser vaiada em pleno estádio Mané Garrincha; vi jovens em nome da paz e outros representando a balbúrdia. Vi patrimônios depredados, pessoas feridas, policiais violentos, sargentos da PM corajosos, bandeiras com vários pedidos, mas que gritavam apenas uma palavra: melhorias. Vi políticos cassados, envergonhados, irônicos, fujões... Relembramos os mensalões. Representantes públicos doentes na prisão, mas cheios de saúde para a corrupção. Pela Televisão soube da morte de Hugo Chávez. A Venezuela chorava, representantes latinos lamentavam, já Obama pouco falou, mas muito escutou. No Brasil e na Alemanha a espionagem americana causou uma polêmica. Dilma rebateu, Obama, mais uma vez, pouco falou.
Vi desastres naturais. Enchentes no Brasil, na Europa, fragmentos de meteoro na Rússia. Continuei vendo a guerra no Oriente Médio, ditadores exaltados, ditadores cassados, mais povo em protestos contra seus governos na Ásia, Grécia e Ucrânia. Vi o mundo sofrer com ganância, arrogância, desrespeito. Vi pouca amizade. Brigas de políticos, brigas de torcidas, brigas de jogadores de futebol, brigas de times para não caírem e também de outros para voltarem a subir mesmo sem disputarem campeonatos consequentes. Um deles conseguiu. Vi o termo "tapetão " voltar a ser pronunciado depois de tanto tempo, mas justo ou não, protagonizado pela mesma equipe que popularizou a palavra nos anos noventa. Vi o Santos ser humilhado pelo Barcelona, e embora não seja santista, senti vergonha. Vi o Atlético Mineiro ser campeão da Libertadores de forma magnífica e emocionante, e embora não seja atleticano, senti orgulho. Vi Usain Bolt, perder para um mortal, mas vencer uma máquina. Vi Anderson Silva perder o cinturão do UFC e encerrar o ano com uma grave contusão e uma imensa frustação. Vi as mulheres brasileiras brilhando no judô, vôlei, e até no handebol. Vi nossa seleção de futebol ganhar a Copa das Confederações e alimentar de esperança nossa crença no Hexa. Vi Neymar iniciar sua trilha europeia, Messi não ter uma ano brilhante e Cristiano Ronaldo ter razões para acreditar que o ano foi seu.
Vi o Papa Francisco protagonizar uma belíssima Jornada Mundial da Juventude no Rio de janeiro, vi a solidariedade, me vi solidário. Vi a banda Charlie Brown Jr. perder Chorão e Champion, parece que é o fim. Emílio Santiago se despedir, assim como Reginaldo Rossi. Vi Nélson Mandela nos deixar, mas sua mensagem ecoar. Acho que ele partiu feliz.
Talvez tenha sido o que mais vi em 2013. Queria ter visto mais justiça, mais solidariedade, mais paz, mais respeito com os doentes, menos doença e mais alegria. Mas nossos desejos para 2014 estão presentes para acreditarmos que o bom pode melhorar e o que foi ruim faz parte da vida, mas também de nós para mudar. E que com certeza podemos e devemos fazer a nossa parte para alterar o que foi ruim, rever o que foi polêmico e acreditar nos nossos atos.
FELIZ 2014 A TODOS!
sábado, 17 de agosto de 2013
A novela política continua.
Certamente muitos de vocês viram ou ouviram falar da novela "O Salvador da Pátria". Mas para quem nunca ouviu comentários ou não se interessou (algo difícil mediante o sucesso desta teledramaturgia) segue aí uma breve apresentação. A história gira em torno do inesquecível personagem interpretado por Lima Duarte, Sassá Mutema, um bóia-fria que acaba sendo manipulado pelo deputado Severo Toledo que faz com que Sassá case-se com sua amante Marlene afim de que seu adultério seja cada vez mais camuflado. Mas após a morte de sua "esposa" e do corrupto jornalista Juca Pirama, que descobriu o casamento fajuto e explorou das piores formas possíveis o fato na mídia, o bóia-fria acaba sendo o principal suspeito do assassinato. Tempos depois quando sua inocência é provada, nosso protagonista passa a ganhar fama e é aclamado pelo povo. Assim, os políticos começam uma tentativa de fazer de Sassá o prefeito da cidade, mas ele acaba ganhando poder e conquistando posição política própria para revolta dos políticos. A novela muito famosa na época pela história romântica de Sassá Mutema e a "professorinha" Clotilde, também foi de uma riqueza impressionante para abordar situações políticas e corruptas infelizmente recorrentes até hoje.
Pois é... De 1989 (ano da novela) para 2013 foram vinte e quatro anos, e em 2014 quando esse sucesso comemora exatamente duas décadas e meia, o Brasil poderá prestar uma irônica homenagem a esta querida novela global: a tentativa de eleger para nós um "Salvador da Pátria".
O cálculo é simples: manifestações + revolta com os políticos consagrados = procurar nos novos valores de ficha limpa e apoio popular, um aliado para continuar comandando a máquina pública. Sabemos, na realidade que existem novos políticos que já surgem no cenário mal intencionados, mas que também existem os que aparecem sem sequer entender como funciona o jogo da política, chegam apenas na intenção de buscarem melhorias para os princípios básicos como educação e transporte. E estes devem ser os maiores alvos dos presidentes de partidos e outros poderosos políticos. Nosso querido Sassá Mutema foi um inocente que em mãos ambiciosas transformou-se em um verdadeiro boneco de fantoche. Mas nesse caso os vinte e cinco anos evoluíram também para o errado. Não será um analfabeto a nova aposta dos políticos. Ele pode até não entender de ciências sociais, mas deve ter uma postura revolucionária, deve ser oriundo de grêmios estudantis, ser um líder nato e arrastar pessoas para reivindicarem seus direitos. Sim. Ele terá o perfil de um manifestante.
E essa será a dificuldade. Quem representará o povo e quem estará a favor da manutenção do modelo político atual, haja vista que os dois terão o mesmo perfil? É... Para aqueles que pensavam que estas eleições seriam as mais fáceis podem ter se enganado completamente. Novas siglas surgirão, militantes do passado retornarão, nomes de partidos menores ganharão força e é claro que os gigantes da política nacional já estão cientes disso e prontos para contra atacar. Por isso, tomem muito cuidado em 2014! Afinal de contas, Salvadores da Pátria já tivemos muitos candidatos, e de inocentes como nosso querido Sassá Mutema, eles não tinham literalmente nada.
Imagem: http://contigo.abril.com.br
Pois é... De 1989 (ano da novela) para 2013 foram vinte e quatro anos, e em 2014 quando esse sucesso comemora exatamente duas décadas e meia, o Brasil poderá prestar uma irônica homenagem a esta querida novela global: a tentativa de eleger para nós um "Salvador da Pátria".
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| Sassá Mutema nos braços do povo na clássica novela de 1989. |
E essa será a dificuldade. Quem representará o povo e quem estará a favor da manutenção do modelo político atual, haja vista que os dois terão o mesmo perfil? É... Para aqueles que pensavam que estas eleições seriam as mais fáceis podem ter se enganado completamente. Novas siglas surgirão, militantes do passado retornarão, nomes de partidos menores ganharão força e é claro que os gigantes da política nacional já estão cientes disso e prontos para contra atacar. Por isso, tomem muito cuidado em 2014! Afinal de contas, Salvadores da Pátria já tivemos muitos candidatos, e de inocentes como nosso querido Sassá Mutema, eles não tinham literalmente nada.
Imagem: http://contigo.abril.com.br
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