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terça-feira, 9 de novembro de 2021

MINHA QUERIDA COLUNA. Vida louca vida...

     Uma coisa eu tenho certeza que esse novo normal me entregou: A capacidade de produzir, tanto dentro do quarto quanto no palco ou ao volante. Os começos de semana têm sido assim... Sentado na cama, café preto para acordar, olhos sonolentos pelo efeito Melí e... Bora começar a resolver os pepinos. 
     Antes, a cada saboreada do delicioso café da prima Leila, a TV mostra a continuidade de uma notícia difícil de digerir. Marília... Meu Deus... Como pode... A melhor cantora brasileira na atualidade, vencedora de Grammy, recordista mundial de público em uma live, compositora incrível, voz fenomenal, auge da carreira, 26 anos... Uma menina... Uma menina. Doeu, viu... Lembrei do sábado passado. Como foi lindo! Em pleno show de rock nacional, a platéia cantando comigo "Ciumeira", "Infiel" e "Amante não tem lar". Foram apenas os refrões, mas o suficiente para dimensionar o tamanho da rainha do feminejo. Gigante! Unânime! Certamente eterna. Mais uma voz para o ilustre coral que nos ilumina lá de cima!
   Respiro fundo... Termino o café. Agora começam as burocracias. DETRAN, Congelar academia 😌 resolver pendências do seguro odontológico. Antes, já que desci... Videozinho básico da Melí... Mais tarde vai virar Feed 😉 Ao subir novamente para o quarto, descubro que depender dos outros é f... Cadê o e-mail do seguro odontológico para pagar a fatura? Por quê não consigo fazer um simples agendamento por telefone com o DETRAN? Academia? Eu tenho que ir a unidade para congelar a matrícula? Voltei aos anos 90? Tá rolando o que no cinema? Titanic? Pois é, uma manhã inteira e... Nada.
   Bom, me resta ir a oficina onde instalei o gás do carro e pegar a documentação para homologar o GNV. De lá, ligo o app e, partiu trabalhar com transporte para garantir a meta do dia! E parece que a minha salvação só será acreditar nisso mesmo... Na oficina, faltaram papéis: "Manda a foto da papelada pelo ZAP que eu te reenvio a documentação por lá também. Nem precisa vir aqui dinovo." Disse Rogério, o dono da convertedora, no intuito de amenizar a minha frustração. Conseguiu. Em parte. Afinal de contas era a quarta porrada burocrática que eu recebia em cinco horas. Já estava nas grades e com um peso pesado do MMA mandando jab, cruzado e gancho sem dó nem piedade. Um "passageiro da agonia", segundo o Rhodes.
   Bom, vamos lá... Até agora só perdi tempo e dinheiro 💸 Tá na hora de fazer o tempo virar grana! App ligado! Vamos nessa. Curicica x Barra. Meu Deus... Que preço é esse... Mas é de baixo que se começa. Próxima! Barra x Freguesia. Continuamos catando 🌽 Desiste não! Freguesia x Nova Iguaçu. Opa. Vai dar caldo... Ops... Cuma... Oi??? Valor R$56,00 ??????? Será que eles sabem aonde fica Nova Iguaçu e que são cinco horas da tarde? Parece que não. Aliás, a julgar pelo preço que cobram da maioria das corridas, desconfiam que os donos destas plataformas de transporte são marcianos 😏 Mas vamos lá! Partiu Nova Iguaçu. A cliente é super gente fina! Dariellen. A conversa flui tão bem que até demoro a perceber que estou engarrafado na Pavuna 😬 No fim, Dariellen chega a tempo para a sua aula de enfermagem. Já o meu caso, esse sim está a ponto de me levar ao hospital por enfarto! Um número desses, em Nova Iguaçu, quase sete da noite? Rapaz... 
   Bom, vamos colocar o destino em direção a Barra da Tijuca! Quem sabe chego lá com um número melhor. Ativado! Vamos lá celular! Me ajuda aí! Primeiro: Nova Iguaçu x Nova Iguaçu. Cancelo! Não é isso que quero. Segundo: Nova Iguaçu x Nova Iguaçu. Cancelado. Será que esse app entendeu o que pedi? Terceiro. Adivinha? Convite a explorar Nova Iguaçu. Aceito. Meia hora dirigindo... Dez reais. Destino final: comunidade. Hoje não é meu dia... E depois de descobrir que o Uber e a 99 devem trabalhar em parceria com a secretaria de turismo de Nova Iguaçu, sigo o meu caminho "batendo banco" para o Rio. Voltando, algumas tentativas frustradas de voltar para a cidade com passageiros. Foram poucas... Assim... Umas trinta! Quarenta, talvez! 😐😐😐 Neste momento imagino um livro com o título: Como fazer cliente e colaborador, ficarem insatisfeitos de uma só vez. Escrito por: app de mobilidade urbana. É inacreditável...
   Chego no meu bairro... Tarde, cansado. Estímulo? Existe essa palavra? Lanchinho, ligação para a Stephanie dizendo que vou demorar um pouco mais no trabalho, vai para ali, vai para mais perto ainda, vai para a outra rua, vai para cá, vem para lá... Número girando ao redor do rabo... Outro chamado... Paciência... Eita... Paciência? 21:45 da noite... Hoje é só decisão legal para tomar hein. Mas vamos lá. Conexão Jacarepaguá x Paciência. É quando você descobre que a Av. das Américas é gigantesca... E cansativa. Cheguei!!! Graças a Deus 🙏 E agora? Agora volta, bebê... Kkkkk Ida pela Américas, volta pela Brasil. Chamados? Vila Kennedy, Bangu, Realengo... Nada contra. Tenho amigos por lá. Mas já são onze da noite e tá cheio de polícia na rua. Você se atreveria?
   Chego em casa. As duas princesas dormindo. A Televisão tem o Bart Simpson fazendo piada sem platéia acordada. Desligo o televisor. Coloco Melí no seu bercinho e vou tratar de comer algo decente. No fim é o Japonês que sobrou ontem... Não é assim tão nutritivo. Mas a essa altura do campeonato, só de estar no sofá já é uma vitória. 
E hoje mais cedo recebi uma proposta para trabalhar com carro de Chopp. Torneiras na mala, veículo parado, eventos voltando, feiras por todos os cantos, bebida alcoólica mais consumida no mundo... 
Será?

Por: Gê Ataide.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Crônicas ao volante. Uma quinta vazia.

     A partir de hoje inicio uma série de crônicas ao volante aqui no Coluna GE-ral. Serão minhas vivências enquanto dirijo os transportes por aplicativo ou conduzo os cachorrinhos e gatinhos através de solicitações por site especializado. Muitas cenas são assistidas pela janela de um carro e muitas conversas quase viram entrevistas sob o olhar de um retrovisor. É praticamente impossível um profissional de comunicação ficar alheio a tantos fatos e tantas histórias sem registrar o que se passa.

     Nossa estréia começa em meio a uma palavra que boa parte do mundo desconhecia: pandemia. Recebo uma OS (ordem de serviço) para levar um cãozinho com sua dona e acompanhante, Ana Cecília, para uma clínica veterinária. O atendimento é cedo e na noite anterior já preparo o carro. Capa Pet nos bancos, desinfecção realizada, descanso, rua. O deslocamento é grande. Saio de Jacarepaguá e vou para a Vila da Penha buscar "Totó", o cãozinho que será sedado para que a retirada de uma amostra do líquido da sua medula óssea. Um exame específico que geralmente é realizado quando um hemograma (exame de sangue mais simples) não consegue precisar alguma possível doença no animal. O caminho para o Veterinário também é longo. Saio da Penha e sigo com Totó e sua Ana Cecília para o Grajaú. Bairros cruzados, via expressa, túnel e, enfim… A clínica. Cecília pede que eu aguarde uma hora pois o exame é delicado. Pergunta se eu posso esperar caso o procedimento de coleta demorasse mais do que o normal: "claro, sem problemas!" Respondo para tranquilizar a dona do Totó, ansiosa e preocupada com a saúde de um dos seus três bichinhos de estimação. Além do paciente da vez na clínica veterinária, ela ainda tinha um outro cachorro e um gato, que se dão bem, são "parssas" uns dos outros. 

    As rádios dividem a programação entre músicas e boletins sobre a pandemia. Aproveito e observo ao redor. A rua vazia. Tudo bem, são nove horas da manhã. Mas realmente estava menos populada do que os outros dias. Não fazia muito tempo que Totó e Cecília estavam comigo neste mesmo carro e fazendo o mesmo trajeto neste mesmo horário. Possivelmente um mês atrás. O movimento era outro. Mesmo em meio ao temor da Covid-19 comentamos naquela corrida o quanto tinha gente nas ruas, fazendo filas mesmo antes de bancos abrirem, circulando com crianças, vendendo de tudo. Mas agora, neste fim de maio, está diferente. Muitos dos comércios que estavam abertos naquele fim de abril, desta vez estavam com suas portas de ferro para baixo. Na rua, menos carros, menos pedestres, menos vida circulando. Menos vida… bom… No dia seguinte li na CNN Brasil que o país chegava ao terceiro dia consecutivo com mais de mil mortos diagnosticados pela Covid-19. E embora o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella tivesse anunciado horas antes uma reabertura gradual da cidade para flexibilizar o confinamento, aquela manhã não me pareceu muito empolgada com essa notícia. 

     Após deixar Totó na clínica, procurei um lugar para estacionar e aguardar o final do atendimento. Enquanto fazia meu lanche no carro, observava as pessoas circulando pelas calçadas. Muitos com máscaras. Muitos... Não todos. O contraste às vezes era evidente. Tão evidente quanto a pressa na caminhada. As pessoas realmente estavam andando mais apressadas. Entendo que eu estava próximo a esquina da Maxwell com a Rua Uruguai e não estamos falando do lugar mais seguro do mundo (se é que existe um…) mas havia um posto de combustível e outros estabelecimentos comerciais ao redor. Na Barão de Vassouras, onde estava, de fato, localizado, percebia uma rotina normal das manhãs. Pessoas saindo com seus carros para trabalhar e outras chegando com pães para o café da manhã. Havia um pet shop na esquina também. Não senti medo da violência. O inimigo daquele momento era realmente invisível mas presente.


O prevenido e o apressado. Pessoas caminham lado a lado mas com atitudes opostas em relação as medidas de proteção contra a Covid-19.


     Quando voltamos para a Vila da Penha já estávamos chegando às onze horas da manhã. As pessoas tomaram mais as ruas, mas não foi uma quantidade surpreendente. O percurso do GPS pela Avenida Brasil deixou ainda mais gritante o quanto a rua insistia em flertar com um ambiente melancólico. Pouquíssimos carros circulando na via, levando em consideração a média abusiva desta que é considerada a mais importante via expressa da cidade do Rio. A impressão era que, mesmo se eu decidisse cruzar os quase 60 km de extensão da avenida, a sensação de vazio seria a mesma pelos 26 bairros que ela cruza. Impressão? Talvez, mas pouco provável. Trabalho, segundo canta Roberto Carlos, como "analista urbano", desde 2016. São quatro anos ganhando experiência em perceber se o ambiente está, falando em gíria suburbana, "escaldado" ou "sussa". Mas neste 28 de maio não precisava ser um vate escandinavo para cravar que havia um aumento de preocupação na cidade. 


A rua Barão de Vassouras, no bairro do Andaraí, Rio de Janeiro, vazia as dez horas da manhã de uma quinta feira. 


     Totó e Ana Cecília finalizaram o serviço de transporte no largo da Penha, na entrada do parque Shangai, próximos de onde moram. Eu segui para Jacarepaguá. Esperançoso de que os aplicativos de transporte não estivessem com a mesma falta de velocidade da cidade. Mas o cenário era o mesmo. Após um leve reparo elétrico no meu carro, ligo o Uber e a 99 pop às 13:30hs. O resultado? Apenas dois chamados até às 16:00hs. Dois atendimentos pela região. Ambos curtos. Pouco deslocamento. Muito tempo esperando por quase nenhum resultado. Era a tarde me dizendo que estava de braços dados com a manhã. E uma noite que prometera não ser diferente.

     Trabalho concluído, me resta ir pra casa, almoçar, ou lanchar… E esperar a sexta chegar para ver o que o trabalho me reserva. O fato é que sextas e sábados  têm sido cada vez mais piores. Bares, restaurantes, casa de festas, eventos, nada funciona. Estes locais faziam o movimento da cidade. Sair numa sexta em meio a pandemia é saber o pouco que se espera. Aliás o que se espera? Qual o certo a fazer? Sair, ficar em casa… Cada um conhece suas necessidades, mas o fato é que todos literalmente respiram o mesmo problema.


Por: Gê Ataide.


Ultilizo nomes fictícios nas pessoas para que se mantenham preservadas suas privacidades.


quarta-feira, 13 de maio de 2020

UM SONHO POSSÍVEL. O que o mundo tem conseguido entregar de positivo em meio a pandemia.

     Certamente você já deve ter lido que a crise gera soluções. E diante do pior período da saúde global do século, com reflexos na economia e outros setores como educação e serviços, fica impossível não questionar se essa frase realmente tem sentido. Mas será que diante desta pandemia tão brutal, existe algo de positivo acontecendo? Alguns fatos comprovam que sim.

     Se a saúde está sofrendo, o meio ambiente anda em uma via totalmente contrária. A revista Super Interessante  escreveu uma matéria apontando uma queda gigantesca na emissão de gases poluentes para a atmosfera. Compostos químicos como o dióxido de hidrogênio e metano, estão com seus níveis de emissão reduzidos. A China já registra níveis com até 25% a menos na produção de  CO2 (o dióxido de carbono), principal responsável pelo aquecimento global com aproximadamente 78% de emissão por meios prejudiciais ao planeta, segundo informação do site oeco.org.br

A cidade de Nova York, um dos maiores pólos populacionais e econômicos da terra, também alcança uma incrível redução de 50% na emissão de monóxido de carbono, gás poluente encontrado principalmente em veículos automotivos.


Nova York vazia durante a pandemia. Menos pessoas nas ruas, menos veículos circulando, menos poluição. Imagem extraída de: oglobo.globo.com (Foto: Jeenah Moon / REUTERS).


     Americanos e chineses também avançaram em outro quesito: a relação comercial.

     A disputa palmo a palmo pelo poder financeiro global que os dois países travam há mais de três anos, parece ter conquistado uma trégua em um acordo econômico feito dentro da pandemia. O site poder360.com.br informa que a negociação foi assinada em janeiro, mas andou estagnada após declarações do presidente americano Donald Trumph que acusou o governo chinês de se beneficiar do Corona Vírus para alavancar sua economia. No entanto o que parecia ser uma grande possibilidade de aumento da guerra comercial entre norte americanos e orientais, transformou-se em uma incrível trégua após ligações feitas entre políticos integrados ao corpo dos dois governos. Trégua decretada e novas negociações baseadas na redução de taxas e aumento de importações. Dois grandes rivais encontrando na crise, uma oportunidade para enfrentar um problema global adotando medidas juntos. 


Presidente da China Xi Jinping ao lado de Donald Trumph. Países anunciaram acordo comercial que promete uma trégua na rivalidade mundial entre as duas potências. Imagem extraída do site: terra.com.br (foto: Thomas Peter / REUTERS).

      

     O que começa a ser visto, de fato, é uma reforma no modo das pessoas pensarem sobre suas atitudes coletivas. Pequenas ou grandes iniciativas, tem gerado um efeito automático de mobilizar outras atitudes baseadas em movimentos com uma única mentalidade: ajudar o próximo.                Pensamento que também é seguido por Talal Al-Tinawi, um Engenheiro Mecânico sírio que, aqui no Brasil, tornou-se empresário do ramo gastronômico. Refugiado no país desde a guerra civil da Síria em 2013, Al-Tinawi decidiu retribuir toda a recepção e acolhimento que recebeu dos brasileiros no momento em que o povo mais precisava. Ele distribuiu mais de 300 marmitas para idosos da cidade de São Paulo, como incentivo para que esses integrantes do grupo de risco da Covid-19 evitassem sair de suas casas. "Meu país já passou por quarentena e sei como é difícil. Além disso, os brasileiros me ajudaram muito para que eu me adaptasse ao país, então acho que essa minha atitude é uma forma de contribuir e agradecer ao povo que me ajudou”, disse o empresário em matéria publicada por Tiago Varella da Agência Einstein.

     A realidade é que muitas pessoas têm visto o problema como a busca de uma solução. Uma forma de assumir que algumas quedas serão inevitáveis. Mas que embora haja a possibilidade do efeito estufa retomar índices absurdos de aquecimento, políticos mundiais reiniciarem suas rivalidades históricas, e o povo esquecer a busca pela solidariedade ao término deste período pandêmico; olhar para o planeta e encontrar evoluções diante de um problema tão grande, não dá apenas esperança, como estimula para que também possamos fazer a nossa parte no intuito de entregar mais números positivos e, consequentemente, mais resultados eficazes para banir de vez a pandemia que tem assustado, mas também fortalecido a busca de muitos pelo fim deste cenário megativo. É o ser humano e o planeta mostrando que para todo o desespero há sempre uma esperança.


Por: Gê Ataide




quarta-feira, 10 de julho de 2019

ALÉM DO FUTEBOL, ALÉM DO ESPORTE.

     Neste mês de Julho o mundo assistiu duas grandes finais do futebol. Na França, a Copa do Mundo de Futebol Feminino chegou a patamares de audiência jamais alcançados desde de sua abertura até o encerramento protagonizado pelo duelo entre americanas e holandesas. Já na América do Sul, a competição de seleções masculina do continente foi realizada no Brasil e teve sua final com os anfitriões enfrentando a ascendente equipe peruana.
     Os dois jogos tiveram um ponto em comum: o favoritismo predominante de uma equipe. Brasileiros e norte americanas golearam a opinião popular e especializada por todo o planeta. E havia uma razão para isso. Multicampeões não só dos torneios que estavam em disputa mas de vários campeonatos de mesma ou até mesmo maior competitividade, era fato constatado que a maioria esmagadora das opiniões direcionasse os grandes campeões do futebol feminino e masculino ao favoritismo de levantarem as taças ao final das competições, o que, de fato, aconteceu.
     Mas o que, particularmente, me chamou a atenção não foi a vitória, e sim a diferente postura comportamental dos derrotados. Desde a configuração tática até os gestos emocionais, as reações estavam bastante opostas. Holandesas nervosas, errando passes e num misto de abatimento, decepção mas conformidade ao final do jogo. Peruanos arrojados, com marcação alta em campo e a sensação de uma guerra civil perdida após o término da partida. Isso causa uma reflexão bastante importante: é fato que a aceitação da derrota não tem a obrigação de ser igual para todos. Mas o que gera reações tão opostas para o mesmo sentimento?
     Aderindo ao bom e velho cavalheirismo, vamos começar falando da jovem seleção holandesa. E acredito já termos "matado a charada" na frase acima ao falarmos de juventude. A média de idade da laranja mecânica feminina é menor do que 26 anos, fato que o psicólogo e especialista em recursos humanos Abdijam Pinheiro entende ter sido um diferencial para a conflito emocional da equipe européia ao final da partida: "A juventude atual sofre com crises de ansiedade, depressão, frustração... E ter as expectativas não atendidas é uma das razões que geram esses problemas. É uma geração anos noventa ou até mesmo anos dois mil, onde a sensação da derrota é mais sentida em virtude de uma cobrança indireta de resultado, exigido de forma muito agressiva". Explicou. Questionado sobre a reação das holandesas caso a mesma final tivesse acontecido há vinte anos, Abdijam respondeu não haver tanta diferença comportamental assim: "Nos anos noventa seria basicamente a mesma coisa sim. Principalmente pela pouca idade das meninas da holanda".



O abraço pós derrota das holandesas. Um misto de decepção com sensação de 
orgulho pela colaboração de um novo legado iniciado na Copa do Mundo de 2019. 
(imagem: goal.com)




Mas o psicólogo acredita que existe uma razão fundamental no que se relaciona a superação do resultado. 
O profissional que também atua em recrutamento e seleção e tem como função analisar o perfil comportamental e psicológico das pessoas diariamente, acredita que o pensamento consolador da equipe holandesa, vem da consciência de uma continuidade por ter colaborado na reconstrução de um futebol feminino forte, como nunca visto:

"As holandesas estão conscientes de um legado. Que o futebol feminino foi disseminado. E elas estão felizes também por fazerem parte disso". Frustrações de uma juventude contrastadas com relação de orgulho pela consciência de um bom trabalho realizado. talvez um misto de sensações que tenha ilustrado bastante os nervosismos, lágrimas e agradecimentos das meninas da Holanda ainda em campo, após a final do campeonato mundial.
      Nervosismo e lágrimas que também acompanharam a derrota peruana para o Brasil na final da Copa América. Mas, neste caso, os peruanos estavam mais "pilhados". Uma postura de quem lutava por algo a mais do que futebol. O publicitário Roberto Périssé opinou sobre o que acredita ser a razão de uma postura tão diferente entre as meninas da holanda e os jogadores do Peru: "O latino é mais emotivo do que o holandês. Condição social e histórico de vida, influenciam muito para isso". Opinou. Périssé vai além, e diz que um povo socialmente subdesenvolvido tende a sentir mais uma derrota pessoal ou profissional: "A pessoa já tem menos do que deveria ter. Uma perda para ela é muito mais sentida do que para os outros". Disse o experiente profissional com vasta experiência na área de comunicação social.
     Para Roberto Périssé, o vice campeonato do Peru não foi mais sentido apenas em virtude de uma frustração em não entregar uma alegria a uma população que já sofre com um cotidiano de desigualdade social, mas também diante de um histórico de vida dos próprios jogadores: "Muitos deles vieram de famílias pobres, e tem também dentro de si um pouco dessa sensação". Reforçou Perissé.


Paolo Guerrero, maior artilheiro da história do futebol peruano, inconformado
com o primeiro gol do Brasil na final da Copa América.
(fonte: lance.com.br)



     A realidade é que um simples dado ilustra bastante as diferentes sensações de derrota no contexto social dos países. Enquanto a economia da Holanda tem apenas 6% da sua população abaixo da linha da pobreza, os peruanos estão com um número 300% maior do que o país europeu com 25% de pessoas vivendo em condições de necessidades extremas. Estatísticas que fazem parte da conjuntura social de toda uma nação, e que certamente invadem a mente de qualquer atleta que representa seu país, na ideia de entregar alegria a uma população que diariamente sofre com tantos problemas.
     O fato é que muitas partidas de futebol começam e terminam além das quatro linhas de um gramado, e os efeitos da vitória ou da derrota são totalmente interligados à condição psicológica de uma pessoa. Não importa se pela faixa etária ou pela vida social que ela ocupa ou ocupou. É o esporte mostrando que, mais do que competir, é preciso entender porque as lágrimas da derrota geralmente são mais sentidas do que a emoção e o largo sorriso de um triunfo


fontes de informação:
https://www.suapesquisa.com/paises/peru/economia_peru.htm
https://www.suapesquisa.com/paises/holanda/economia_holanda.htm









segunda-feira, 1 de outubro de 2018

NOVAS ELEIÇÕES... NOVAS?

      Talvez não seja a primeira vez que eu começo um texto aqui no blog dizendo: "Não costumo escrever muito, blá blá blá blá..." Mas é melhor ser sincero do que ficar dando voltas... Pois bem, seja faltando tempo ou aplicando o mesmo incorretamente o fato é que minha Coluna GE-ral fica meio abandonada as vezes sim. Agora, por exemplo, escrevo enquanto aprecio meu digníssimo carro tomar um banho no lava jato. E assim vamos...
      Falando em lava jato eu lembro de eleições, e falando em eleições eu fico até arrepiado. Mas, na verdade, não seria pra ficar?
     Não!!!!!! Eu não estou dizendo que sou a favor desse ou daquele... E principalmente que acredito na mudança, dadas as circunstâncias de intenções de voto. Só estou destacando como o clima está tenso. Primeiro a corrupção arrebentou os pilares de quem acreditava em uma era próspera na virada do século. Depois veio o impeachment que, para alguns era golpe, para outros era só impeachment mesmo... Mas para todos, pouco adiantou. Agora comenta-se da violência e de cidades que eram referências de tranquilidade virarem constatadas moradas do tráfico de drogas, armas e, lógico, aumento gradativo e impiedoso da criminalidade. Casos de Angra dos Reis e alguns pontos da região dos lagos, no Rio de Janeiro.
     Tudo isso gerou o velho enredo das promessas. Um promete mudar tudo com radicalismo, outros prometem combater  o radicalismo, outros prometem resolver, mas sem radicalismos. E dá-lhe radicalismo!!!! A impressão que tenho com toda essa fúria descomunal dos candidatos, é que mesmo querendo combater o radicalismo eles também se tornam radicais, e acabam por flertar com um veneno que eles mesmos desejam imunizar.
      Como de costume já ouvi presidenciáveis falando verdades, ponderando situações em discursos plausíveis, apontando diretrizes corretas mas, principalmente, falando também tantas bobagens que até mesmo um leigo em política como eu consegue ficar espantado com tamanha ignorância ou, no que mais acredito, cara de pau. É gente dizendo que vai mudar a lei (isso dói quando dizem...), que vai investir em segurança, educação e saneamento básico mas na hora de responder "com que recursos?" nós descobrimos que a grande maioria faltou as aulas de matemática no ginásio,  enfim... Haja criatividade para pensar tanto e chegar a conclusão que somos todos idiotas.
     Bom... Se vai mudar alguma coisa com essas eleições eu não sei (gostaria), mas não é possível que depois de tantas manifestações nos últimos anos, tantos escândalos, tantas operações da polícia federal, tantas reportagens, tanta fama negativa do país fora das nossas fronteiras e além dos oceanos, nós veremos aumentar o número de eleitores que escolherão seus candidatos em troco de um frango, uma caixa de cervejas ou um churrasco "comunitário". Afinal de contas, já está mais do que comprovado que não é com a política do "farinha pouca meu pirão primeiro" que as coisas vão mudar. Até porque esse pirão já azedou várias vezes e o pior, cansou de faltar farinha pra fazer mais.
    
     

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

VEM DE CAMAROTE. Cocktail de lançamento do Camarote Lounge Carioca agita a noite na Cidade Maravilhosa.

     O Rio já respira carnaval. E alguns eventos que ocorrem na “night” da cidade mais visitada do Brasil em fevereiro atestam de forma totalmente positiva o quanto essa festa é importante para a cidade. E certamente o Cocktail de lançamento do Camarote Lounge Carioca ocorrido na noite de segunda-feira (29) no Novotel - Botafogo, foi um dos responsáveis por revestir a semana que antecede os desfiles da Sapucaí de mais ansiedade e expectativa.

    Uma festa fantástica, luxuosa e com presenças que proporcionaram um verdadeiro desfile de simpatia e diversão dentro belíssimo cenário lounge em que foi transformado o salão do Hotel.

    A Comissão de Frente do cocktail ficou a cargo de Maurício Dutt (@mauriciidutt), que apresentou aos convidados um pouco da curta mas bem sucedida trajetória do Camarote, ilustrando com um vídeo que deixou todos estarrecidos com as opções de entretenimento, relaxamento, estética, gastronomia, drinkeria, e conforto que o espaço proporcionará aos foliões VIPs a partir da sexta feira de Carnaval. Em seguida, Os Destaques. A musa do Lounge Carioca, Adriana Bombom (@adrianabombom) e a madrinha Mayara Motti (@mayaramotti) abrilhantaram ainda mais a noite. Beleza, simpatia e samba no pé, muito “samba no pé”...

    A Pura Cadência, Bateria da Unidos da Tijuca elevou a pulsação ao nível máximo com direito a passistas e uma sequência de coreografias de samba num baile de corpos esculturais que fizeram os convidados se sentirem literalmente dentro da avenida.

    O quesito Harmonia teve direito a show solo de Sax e um momento a capela dos convidados cantando em uníssono um clássico do rock brasileiro. George Israel (@georgeisraeloficial), o lendário músico de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro, alterou o ritmo mas manteve o swing musical da noite. Em um repertório que aliou o nostálgico ao moderno, transitando desde de Psycho Killer - Talking Heads a Happy - Pharrell Williams, e terminando com a emblemática Pintura íntima - Kid Abelha, Israel contagiou o salão nobre exibindo solos do seu saxofone junto aos convidados, em cima do sofá e das cadeiras. Um show de performance que se repetirá no domingo de carnaval dentro do camarote juntamente com o show de rock nacional da banda Trio Caribu (@triocaribu).

    Uma noite cheia de surpresas, gente bonita, personagens marcantes e apenas uma expectativa: o início da maior festa do planeta chegar o mais rápido possível para que ocorram momentos certamente ainda mais intensos, revestidos de energia e adrenalina. Pois se longe da Marquês de Sapucaí a energia foi dessa forma, de frente para o espetáculo será indescritível e inenarrável mensurar. Que venha o carnaval!

Por: Gê Ataide.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Sua vida ficou mais prática ou mais complexa?

     Parece realmente um passado não tão distante assim, quando no começo da noite de sexta feira, minhas duas irmãs e eu esperávamos meu pai chegar do trabalho para irmos juntos à locadora do Gélson em busca do nosso principal entretenimento do fds: assistir filmes no nosso videocassete JVC. Bom... Eram os anos noventa quando sequer se escrevia fds, vc, bjs, obri, vlw, tql, blz, ou qualquer outra sigla... Aliás era uma época boa porque conversar pessoalmente ainda estava na moda...
     Hoje em dia eu fico pensando se a tecnologia nos deu mais praticidade ou agregou complexidade nas nossas vidas. Pois ao mesmo tempo que somos ágeis agora para pagar contas, marcar reuniões, agendar saídas com a galera, viajar, ou pesquisar tarefas de escola, fakul ou qualquer outra coisa, parece que no fim do dia sempre faltou algo para resolver, e o pior, na maioria das vezes faltou mesmo.
      O site revistagalileu.globo.com fez uma matéria bem legal projetando como serão nossas vidas daqui há vinte anos. Dois temas me chamaram bastante atenção. O primeiro é em relação a nossa futura relação com a internet. Ela será como a eletricidade para nós, estará em tudo. Não haverá um momento em que vamos pensar se o lugar tem ou não Wi-Fi por exemplo, será tão prático, tão óbvio, tão evidente que, terá realmente uma relação parecida com a que temos hoje em dia com a lâmpada de casa que acendemos ao anoitecer. Ela estará lá, simplesmente, naturalmente, normalmente.
      Agora vai uma palavra nova que aprendi: tecnogênico. Pois é, tem a ver com a maioria dos pepinos que resolvemos socialmente hoje em dia. Problemas tecnogênicos são aqueles criados pela tecnologia. Basicamente quando algo foi feito para nos dar praticidade e aí vem uma mente maldosa e pensa que essa "novidade" também pode ser usada para coisas erradas. Pois então, a má notícia é que essa maluquice só vai piorar tá... É só você dar uma viajada na mente. Imagina se implantarem um chip no seu braço para que ele seja o seu cartão de banco por exemplo. Ótimo!!!! Vou andar sem carteira! Mas o assaltante vai pensar: "Beleza, agora eu só preciso de um facão!". Foi meio ridículo mas você entendeu (estou fora da minha cidade escrevendo esse texto numa praça com o tempo fechando e 20% de bateria, releva vai...).
     Por sinal agora vejo crianças voltando da escola e parando para curtir o balanço da pracinha e jogar bola... Tudo bem que estou em uma cidade bem menor que o Rio (Teresópolis), mas ver quinze pré adolescentes brincando e apenas dois segurando seus computadores de mão, também conhecidos como celulares é "quase" me sentir em 1995 dinovo quando eu curtia mamonas e ficava decorando as catorze músicas do CD dos caras só com a ajuda da rádio, sem as indispensáveis e atuais colaborações de YouTube ou Spotify para este feito.
     Talvez a cidade pequena será uma referência daqui há poucas décadas para isto... Não apenas para a fuga do trabalho e da rotina da cidade grande, mas também da tecnologia. Fico imaginando uma pousada com os dizeres "Relaxa, aqui não temos Wi-Fi" ou "Tente guardar seu celular e ver o que o mundo te oferece" Ah já sei, que tal apenas "Desconecte-se".
      Putz... Aí passa uma freira agora, sinônimo de todo o tradicionalismo possível e comenta com uma noviça ao seu lado "...Eu converso com ela no face as vezes..." Agora minhas expectativas definitivamente viraram utopia.
     É meus amigos, não tem jeito. O passado não volta, a tecnologia nos transforma e o caos dos barulhinhos de whatsapp, Insta e outros app's continuarão sendo a principal razão de irmos a farmácia comprar Dorflex. Fazer o quê? Vamos em frente. Só espero que não venha um doido aí é resolva criar uma Skynet... Aí embolou de vez... "Jesus toma conta" Haja Schwarzenegger para nos ajudar... Hahahahaha...

Fontes de pesquisa: http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2014/07/evolucao-tecnologica-como-sera-nossa-vida-daqui-20-anos.html

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Aonde você mora? Aonde você foi morar?

     SOU CAPIXABA COM MUITO ORGULHO! Nascido em Vila Velha, criado na Serra e feliz pelos amigos e pela história que construí lá pelos dezesseis anos da minha vida. Mas hoje, no começo da tarde, conversando com minha diarista que, assim como eu, é mais uma integrada em terras cariocas (no caso dela, filha das Minas Gerais) eu comecei a me questionar sobre até que ponto é válido e correto exaltar esta frase. Somos capixabas, mineiros, brasilienses, pernambucanos e outros mais ou somos exclusivamente brasileiros.
     Em uma pesquisa feita pelo IBGE e que virou reportagem do portal de notícias G1 há cinco anos atrás, quando nosso país "ainda" totalizava 190.755.799 milhões de habitantes, os migrantes, ou seja, aqueles que saíram de seus estados de origem para outras fronteiras nacionais, totalizavam um número maior do que 27 milhões de pessoas (14,5%) da população. Isso quer dizer que a cada dez pessoas que você encontrar nas ruas, pelo menos uma vai conversar contigo soltando aquele sotaque que você acha engraçado, bonito e, logicamente, bem diferente do seu. Só no eixo Rio/São Paulo, residem mais de 10 milhões de brasileiros que abandonaram suas cidades, muitas vezes, em busca de oportunidades melhores de trabalho. Nordestinos são muitos... Uma incrível quantidade de pessoas que em sua grande maioria se notabilizaram pela disposição no trabalho, seja ele qual for. Mas a mesma unanimidade que agrega ao nordestino uma característica bem peculiar para a labuta, o transforma em alvo de um dos apelidos mais preconceituosos batizados pelos nascidos nas duas maiores cidades populacionais do Brasil. 
"Ah é tudo Paraíba!"
Está aí uma frase que os cariocas e paulistas adoram, mesmo quando o sotaque nem mesmo é nordestino. Na realidade, eles tem um outro "ditado regional popular" que mostra o quanto isso pouco importa para eles:
"Pra mim, saiu do eixo Rio/São Paulo é tudo Paraíba..."  
Qual migrante morador da cidade maravilhosa ou da terra da garoa nunca escutou essa frase? Um preconceito que de tão enraizado na sociedade brasileira, torna-se ironicamente carinhoso, pois a grande maioria passa a dizer sem maldade, intenção de ferir, atacar, desprezar... Porém, com uma vontade bem notória de mostrar com um certo "q" de deboche o seguinte pensamento: 
"Você não é daqui, meu caro..."


O rei Roberto Carlos, nascido em Cachoeiro de Itapemirim - ES, mas mora no Rio desde a juventude. (fonte da imagem: http://www.luizberto.com/a-musica-do-mundo-peninha/roberto-carlos-76-anos)


     Na realidade os que sempre moraram em seus estados jamais vão compreender a dificuldade que é de se reinventar em uma outra terra que, embora também brasileira, possui uma cultura tão diferente em vários sentidos. Mas quando você se muda, existe um inimigo e aliado com o mesmo nome acompanhando você... O tempo. Primeiro ele te dilacera. Te faz acreditar que a adaptação não vai acontecer, te leva a lembrar incessantemente de um passado recente, onde você andava por onde conhecia, falava o que todos entendiam e podia se vestir sem medo de escutar uma piada caipira ou receber uma risadinha do canto de boca. Mas depois o tempo te fortalece. Vai inserindo você naquele meio, na forma de se expressar, através dos amigos que constrói, na adaptação ao layout do local e por fim, você passa, realmente, ironicamente, devotamente e porque não dizer, misteriosamente, a fazer parte daquele lugar. 

     Aí você se se pergunta? Como isso pode ser? Qual explicação para isso? Talvez a resposta não seja de um novo vínculo e sim de um nó que foi desatado sem que se percebesse. O jovem escritor colunista Alberto Brandão Publicou um texto no site papodehomem.com.br  chamado: "O que ninguém conta sobre mudar de cidade". Ele resume com bastante propriedade em uma frase como nos desligamos aos poucos de uma cultura para nos adaptarmos a outra.
 
"Um dia voltamos para visitá-los (refere-se aos amigos) e eles têm assuntos que não conseguimos mais acompanhar. Nossos interesses não cruzam como antes e tudo parece meio fora de sincronia. O peso da amizade de tantos anos faz o trabalho de manter a união, mas sentimos que o compasso vai se perdendo." 

     E quando isso acontece (e pode ter certeza que acontece mesmo) o migrante se sente realmente distante do seu lugar de origem. E é exatamente na fronteira entre os costumes desprendidos e absorvidos, que vem a confortante descoberta de que ser brasileiro não é ter apenas uma cultura, um sotaque, e até mesmo um estado federativo. Como diz o narrador Luís Roberto, "esse país de dimensões continentais chamado Brasil", nos proporciona a sensação de que temos um pedaço de nós em muitos cantos por onde passamos, visitamos e moramos.


Pelé, o rei do futebol. Nascido em Três Corações - MG e consagrado em Santos - SP. (fonte da imagem: http://blogdoodir.com.br/2010/10/duas-historias-sobre-pele/)

  E então, concluí com minha diarista e companheira de migração, que não existe mineiro, paulista, carioca, capixaba ou paraíba; existe o brasileiro, única e exclusivamente. Somos do Rio, das Alagoas, do Amazonas, Amapá, Paraná, Goiás... Somos tudo... Tudo! Tudo! Comemos como mineiros, cantamos como goianos, dançamos como os baianos, negociamos como os paulistas, falamos como os cariocas. E a busca por sacanear um amigo ou conhecido de outro estado, nada mais é do que um cachorro que ao morder o próprio rabo, vai perceber da forma mais dolorida possível o quanto aquilo é parte integrante de si mesmo.
     Por isso, senhores que jamais abandonaram seus estados... Vou tomar a liberdade de invadir e inverter o seu pensamento. Quando você pensar o famoso e já citado acima: "Você não é daqui, meu caro..."   Sugiro procurar saber de onde você realmente é. Para onde foram seus avós na juventude? De onde eles vieram? Onde residiam seus pais quando crianças? E principalmente, não se esqueça de que um dia, a terra em que você morar pode não ser a mesma que você nasceu. E isso não fará de você melhor, ou pior do que ninguém.

     

quarta-feira, 29 de março de 2017

E o erro permanece...

     Recentemente a CBF anunciou mudanças no seu estatuto. Frase normal... Vamos causar um pouco mais de impacto: Recentemente a CBF anunciou mudanças no seu estatuto. A reunião foi feita no dia do jogo da seleção brasileira contra o Uruguai pelas eliminatórias da copa do mundo. E então? Achou normal ainda? Beleza... Vamos colocar mais tempero nessa sopa: Recentemente a CBF anunciou mudanças no seu estatuto. A reunião foi feita no dia do jogo da seleção brasileira contra o Uruguai pelas eliminatórias da copa do mundo e não contou com a participação dos representantes dos clubes brasileiros.
     ooooooopaaaaaa... Agora não é possível que você não entendeu que tem algo, no mínimo, estranho no ar.
Vamos lá... Imagina que você vai organizar  uma festa com dois amigos amanhã. Mas hoje a noite os seus brothers se encontram sem você e decidem tudo: hora de saída, o que levar, como ir e quando voltar. E então no dia seguinte só comunicam a você. Mas tem um detalhe: a sua presença na festa é fundamental pois você não só fez o papel de promoter, como será o responsável pelo entretenimento do evento, fará stand-up ou será o músico da noite, por exemplo. Fala a verdade? É ou não é para ficar indignado com sua galera? Bom, talvez agora você saiba como os clubes brasileiros estão se sentindo após essa mudança do estatuto.
     Mas sejamos um pouquinho mais atrevidos na história da festa com seus amigos. Imagine que, ao chegar no local você descobre que as pessoas não procuram você para informações. Os garçons, cozinheiros, seguranças e equipe de limpeza, seguem as instruções dos seus dois amigos. Respostas iguais, ensaiadas, propositais, para que você seja uma voz  menos presente, um voto vencido.
      No caso da CBF o voto vencido são os clubes... É simples de entender: quando houver eleição para presidente da instituição, os clubes da série B terão peso 1, os da série A peso 2 e as federações PESO 3. Eeeeeeitaaaaaa....
Isso quer dizer que se todos os clubes se unirem para votar em um mesmo candidato e as federações votarem em outro, vai ser como um 7x1. No caso, as federações seriam a Alemanha OK? Kkkkkk
      Aí quando Pitty canta: Nada é orgânico, tá tudo programado. E eu achando que tinha me libertado; eu me lembro do Tite...
     Por quê???? Como assim??? Vejam só: O Tite virou a grande figura positiva do país. Voltou a dar orgulho para uma pátria que se via perdida na economia, desacreditada na política e pouco brilhante nos gramados. De repente, somos a primeira seleção a se classificar para a Copa da Rússia. (Além da Rússia, é claro né... ) Pronto! Futebol, paixão nacional dinovo!
      Mas e quando o Tite sair? Será que vai começar o jogo de cartas marcadas dinovo? Será que o público só foi usado e ganhamos o Tite para calarmos a boca e esquecermos as mazelas sociais enquanto o Brasil chega com força para a Copa, ou a CBF aprendeu com os recentes casos de corrupção no país e dentro da própria entidade?
Sinceramente... Depois do jeito que esse estatuto foi alterado, é impossível não se ver pessimista em relação ao futuro.

Por: Ge Ataide.

quinta-feira, 23 de março de 2017

POR QUE PAPAI? PORQUE É JOEL.

Eu não sei, caro leitor, se você teve a oportunidade de ter convivido com seu pai. Talvez tenha tido um avô como figura paterna, um tio, ou até mesmo um grande amigo ou vizinho. O fato é que independente da pessoa responsável por exercer essa função na sua vida, tenha certeza que, se você tem hoje uma grande admiração por ela, isso se deve a capacidade que ela teve de te marcar pelas suas frases e atitudes.

  Quem tem a honra de ser chamado de pai, tem também a responsabilidade nas costas de orgulhar, inspirar, motivar, agregar.    

    Mas um pai também chama atenção! Corrige, Morde para depois assoprar (Ah, coisa de pai…). O pai briga não no intuito de desmoralizar, mas de ensinar e almejar para seu filho um desempenho melhor, uma postura mais correta e até mesmo como se defender de algo ou alguém que atravessar o seu caminho. Para alguns pais: “Bateu, revida!”, para outros “Bateu, toma a outra face…” Mas para todos tem sempre a frase: “Só quero que você amadureça”.

     Existem os pais maldosos, cruéis, arrogantes e insensíveis, mas “na boa cara”, esses não nasceram para serem pais… Os verdadeiros pais te conquistam com o olhar, e até adotam você como filho, mesmo quando na sua vida já existe quem faça essa figura. Mas é daí se você já tem um pai? Ter outro é ter mais aprendizado ainda! Acima de tudo, uma mão para te levantar e uma boca para te aconselhar na hora certa.

    Quando vi “papai Joel” chegando com a delegação do Boavista no hotel Ramada Recreio onde sua equipe  está hospedada, para pré temporada, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro; percebi que ele estava descendo do ônibus com as mãos nos ombros de uma outra pessoa em uma conversa ao pé do ouvido, daquelas que só quem quer dar conselho faz… Sucinta, discreta, paterna. Não havia jornalistas, fotógrafos, fãs, tietagem. Apenas o sol escaldante de meio dia e alguns funcionários da portaria. E isso foi o que mais fascinou.

    Às vezes somos para os outros o que queremos que os outros sejam, não o que nós, de fato, somos. Sorrir para a câmera pode ser mais uma ironia e menos uma simpatia. Com Joel foi diferente. Sua figura paterna se fez presente naturalmente porque ele não apenas conquistou esse apelido, ele sempre o teve dentro de si.

    Ao técnico, comandante, professor e, papai, Joel Santana fica a admiração por presenciar e compreender a razão de ser tão querido no meio em que atua. Aos jogadores do Boavista, uma sugestão: aproveitem! Afinal de contas quem é pai, quer ver seus filhos sempre bem, atuando com dignidade, evoluindo com consciência e coletividade e principalmente, vencendo no final. E mesmo quando poucos acreditarem, há quem acredite. E ele será o cara que estará de pé ao lado do campo, olhando para você acompanhado e abraçado com sua habitual prancheta.

Por: Gê Ataide.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ah... É só mais um escândalo...

     Hoje, no começo da tarde, uma colega de trabalho perguntou para mim quais seriam os impactos da prisão do senador Delcídio na sociedade. Eu até entendi o que ela quis dizer mas, na realidade não soube responder.
     Na boa galera, já tem tanta farinha vazando desse saco que eu nem sei mais o impacto generalizado da coisa. Nunca vi tantos escândalos, tanta gente envolvida e, sério, não pensava que fosse possível circular tantos "bilhões" por aí de forma tão leviana. Porque esse ano são só de bilhões que a gente fala. O negócio é desviar à vera! Esse papo de "milhõezinhos" na conta é coisa dos anos noventa meu chapa! Esse lance de congelar conta então! Coisa de político com pós graduação em corrupção vencida... Agora a moda é petróleo, o ouro negro!
     Impressionante como um grupo de pessoas consegue lesar uma imensidão de gente e em tão pouco tempo. Sério, tô pensando até agora como esses caras são mestrados em lavar grana. Vamos lá. A Mega Sena está em duzentos milhões não é isso? É... Acho que sim... E se você levar esse din din todo pra sua conta, meu nobre, haja vontade de falir para acabar hein! Então pensa comigo: imagina o que é desviar bi... bi... bilhões meus amigos. É chamar o povo de trouxa e sambar na cara dele. Sambar não né... Eles dançam a "música de corneta alpina" típico da suíça! Kkkkkkkkkk
     A dívida brazuca ano que vem vai beirar cento e quarenta gente. Hã, cento e quarenta o quê? Bilhões né, é claro... Esquece milhões da cartilha, isso é presentinho pra assessor.
     Então... Respondendo a pergunta da minha colega se a prisão do Delcídio impactou em alguma coisa. Eu digo que, no bolso sim! Mas para mudar alguma coisa na consciência moral de algum dos envolvidos soltos... Melhor continuar com meu silêncio do começo da tarde.

Respondido, sra Patrícia Balbino?

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A nova regra do jogo para as telenovelas

Amigos;
Sei que meus afazeres diários acabam por não deixarem que eu escreva regularmente para vocês. Mas é isso né... Jornalista que não atua no jornalismo tem que se virar nos trinta! Kkkkkkk
Mas sério gente... A partir de hoje não respondo Whatsapp, atendo celular ou confiro messenger a partir das 21hs. Tudo por culpa dessa tal de #aregradojogo.
O João Emanuel Carneiro já me fez escrever um texto neste mesmo blog, após o primeiro capítulo de Avenida Brasil. Pois, se no começo, a novela da Carminha já tinha me chamado tanta atenção, imaginava que a trama iria pegar fogo. E pegou. Patamares de audiência incríveis, tão quanto o mapeamento divulgado no dia do último capítulo registrando que a teledramaturgia da Globo estava sendo assistida em várias partes DO MUNDO!!!
A partir daquele momento comecei a cultivar grande ansiedade pela nova novela do Carneiro. E parece que não vou me decepcionar.
Alexandre Nero, Giovana Antonelli e Cauã Reimond "brincaram de atuar", show!!!! Fotografia fantástica e uma linguagem tipicamente carioca, seja ela em qualquer segmento social. E "na boa", diante do que estamos presenciando hoje em dia, o público precisa mesmo é desse choque de realidade. É importante Mostrar que a criminalidade anda cada vez mais organizada, que os trambiques nunca perderam sua negativa evidência e que o Brasil continua sendo o reflexo de uma desigualdade social incrivelmente brutal.
Chega de mesmicie! Carneiro? "Tamujuntu". Que a novela continue sendo essa verdadeira evidência de que a coisa tá pior do que a gente imagina, pois só assim, sabendo de verdade o que e quem nos cerca, é que vamos entender a necessidade de fazermos nossa parte para mudar esse quadro.
Então, recado dado. Por isso... Esposa: Simpsons todos os dias não rola mais! Hahahahaha

#geataide

quinta-feira, 16 de abril de 2015

"Quero ver quem paga pra gente ficar assim".

Pois é... Foi essa a frase que Cazuza "esbravejava" em sua canção nos anos oitenta. Hoje temos mostrado nossa insatisfação principalmente nas ruas, mas nossos políticos...
Amigos, é fácil criticar. É a coisa mais prazerosa e uma das mais estimulantes que fazemos. Mas se tem algo que o ser humano ainda não aprendeu é que não adianta falar, tem que agir. Vejamos de uma forma simples: estamos em uma crise e as medidas do governo, que já estava sofrendo críticas dos mais variados segmentos, não agradaram. Então chegaram os "heróis" da oposição. Ela que tanto critica, aliás, acredito que seja este seu principal adjetivo: "criticar". Pois bem, e quando vemos a oportunidade dos nossos " heróis " se unirem ao povo das ruas que clama por soluções... Nada ainda.
Sinceramente gente, não dá desse jeito... Como nós poderemos aceitar uma crise, um baixo salário, uma alta da inflação e um dólar acima de três reais se não percebemos a atitude de quem deve fazer alguma coisa? Pediram pra economizar água, estamos aí!!! Pediram espetáculo na Copa do Mundo, mole pra gente!!! Pediram manifestações sem baderna, dito e feito!!! Então porquê  quando somos nós que pedimos as coisas se arrastam?
Não sou de levantar bandeira, até porquê acredito que o momento não é para isso. Não quero defender governo, oposição, candidato, presidente, agitador, nada! Só nunca ouvi falar de crise que tenha sido sanada sem a união para gerar a solução. Então, embora já seja de conhecimento geral a rivalidade entre governo e oposição, seria muito legal se ao invés de perderem tardes brigando e responsabilizando uns aos outros nesse jogo de quem errou mais, nossos votados pensassem juntos em como sair dessa crise e fazer a economia voltar a ficar decente. Afinal de contas é para isso que nós pagamos vocês.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Você bebe o que bebiam?

Querido leitor;

     Quantos anos você tem? Nasceu nos anos oitenta? Ou viveu os anos oitenta? Era criança nos anos noventa? Ou já podia beber uma Kaiser com os amigos? Bom, de uma coisa eu sei. Seja qual for a memória que você tiver dos anos oitenta e noventa você há de convir que os bebedores de hoje em dia são muito mais amparados e felizes do que nossos papais e mamães.
     Estava dando uma olhada na internet e percebi o quanto somos privilegiados. Só para ilustrar com alguns dados (seguindo sua dica, senhora minha esposa...) uma matéria de 2008 do site diariodocomercio.com.br anunciava um crescimento de 20% ao mês no faturamento de bebidas. Tem noção? Isso quer dizer que em dados do seculo XXI, se um bar vende, por exemplo: R$5.000,00 em um mês, no próximo os caras podem faturar R$6.000,00; e no próximo R$7.200,00. Agora imagina em um ano? E outra! O mesmo site diz que o consumo per capita de cerveja no Brasil é de 56,4 litros. E não tem desculpa de preço não!  Quer uma prova? gazetadopovo.com.br , matéria de 2014. Diz que o aumento de 2,25% nas bebidas frias deve fazer o valor médio do cardápio subir até 12% nos bares, Ou seja, Chapar o coco está caro, mas ninguém retira do orçamento.
     Mês passado estava tocando em um bar de Jacarepaguá com um dos meus trabalhos musicais, e só via Heinecken, Budweiser e Amstel (que foi trazida ao Brasil pela Heinecken). Descobri que o bar Faz4 era conhecido como "o bar das importadas", e o principal: estava lotado. Há alguns anos atrás era difícil imaginar uma cena dessas no Rio de Janeiro em um bairro que não fosse da zona sul. Hoje, a cultura da bebida está completamente multiplicada pelas marcas e marcas espalhadas por aí. Mesmo se você não bebe, tenho certeza que conseguirá me dizer pelo menos oito marcas de cerveja. Não precisamos fazer uma viagem tão longa no tempo para lembrarmos que ir a um bar e pedir uma cerveja, era receber em troca uma outra pergunta: Skol, Brahma, Antarctica ou Kaiser? Já pensou hoje? O cara teria que ficar o dia inteiro decorando a quantidade de "cervas" existentes para nos oferecer. Antes, fazer festa americana era mais fácil. Hoje, se não combinamos direito, nossas caixas de isopor parecem mais o festival da cerveja. Caipirinha nós temos de limão, morango, maracujá, kiwi, abacaxi e o mais revoltante: com Vodca. Já percebeu o contraste? 
     E não é só do álcool que estou falando. Chá gelado? Tinha na mesa? Suco em caixinha? Tinha em abundância? Recentemente bebi até um refrigerante vermelho, com sabor de groselha e nomeado de Guaraná Jesus... Energéticos de dois litros, Isotônicos com cada vez mais sabores, Iogurtes Grego, light, naturais, desnatados, integrais e fermentados; Matte para fazer, Matte em copo, Matte em lata, seja Matte Leão ou Matte Viton. Guaraná agora não é só com gás, você também pode beber Guaravita ou Guaraviton; Sucos em pó com cada vez mais aroma e sabor; e posso até colocar cerveja nesse parágrafo, pois temos a bebida mais consumida do mundo em sua versão sem álcool.
     Pois é meus amigos... Quando você sair para beber hoje, seja um refri, Ice, ou uma clássica cervejinha, lembre-se que você é um privilegiado pois tem variedade e facilidade para encontrar a maioria das coisas que pensar. Mas não se esqueça que essa avalanche de novas bebidas, só chegaram também para nos mostrar que beber é uma arte. Então, seja consciente e deixe uma boa razão para as novas gerações produzirem mais bebidas. Em resumo: Se beber não dirija, não faça merda e não pense que é o Capitão América ou a Michonne do The Walking Dead.

      

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Por que a maioria das mulheres ainda não entende futebol?

Queridos leitores:

     Neste fim de semana pouco vi ou soube sobre os acontecimentos da mídia, pois estava mais preocupado em carregar tijolos e cimentos na minha casa do que qualquer outra coisa. Mas foi tentando me atualizar quase na madrugada de segunda, que comecei a desenvolver a pergunta título deste texto.
     Bom, antes de começar a falar sobre isto, digo que gostei da Juliane Moore ter vencido o óscar de melhor atriz, e fiquei triste pois queria que o Michael Keaton ganhasse o de melhor ator. Mas vou dizer o quê? Não vi nem um filme, nem outro, se a estatueta foi pro Eddie Redmayne, então tá bom né. Mas nem sei quem é... Pelo menos de nome... Mas a partir de hoje saberei...  
     Mas vamos falar sobre futebol. Calma mulheres, desta vez estou com vocês. Acontece que ontem enquanto devorava um prato generoso de comida as onze e alguma coisa, estava vendo o reprise de Flamengo e Madureira que jogaram na tarde de domingo. O jogo terminou 1 a 1. Mas assisti um lance que passou a ficar mais marcado na minha mente do que os próprios gols do jogo. Vamos explicar de um modo simples. Tudo começou quando um jogador do Flamengo tocou para outro na grande área, para ele fazer o gol. Ele driblou o goleiro, dobrou os joelhos e se estatelou no gramado. O goleiro até tocou nas pernas dele, mas o juiz entendeu que ele se jogou e não deu pênalti. PARA TUDO! CONGELA!
     (...) (...) (...) Agora vamos para outro jogo. No mesmo dia jogaram Fluminense e Vasco (aliás, o Fluminense tem sido tão freguês do Vasco nos últimos tempos como o próprio Vasco pro Flamengo hein!). E neste jogo aconteceu uma cena bem familiar deste texto. O jogador do Vasco tocou para outro na grande área, para ele fazer o gol. Ele driblou o goleiro, dobrou os joelhos e se estatelou no gramado. O goleiro até tocou nas pernas dele, mas o juiz entendeu que ele se jogou e não deu pênalti. Lendo este texto você pensa: lances iguais. E foram. Tanto que os dois juízes deram a mesma coisa, ou melhor, não deram pênalti. Correto? Mas então me digam senhoras, senhoritas e senhores, por que os comentaristas de um jogo deram razão ao juiz e os profissionais do outro jogo não deram? E hoje, pela manhã, ainda vejo matérias dizendo: Jogo polêmico! Juiz não deu pênalti a favor do Vasco... E coisa e tal... Gente, nada contra as opiniões contrárias... Aliás, até admiro, e muito, os comentaristas do jogo entre tricolores e cruzmaltinos, mas baseado em situações como essa eu reforço: é por isso que a maioria das mulheres não entende futebol.
Foto: http://feitoparahomens.com.br

     Como diz Arnaldo Cézar Coelho, a regra é clara! mas as opiniões são sempre controversas. Tudo bem que não tenho o que reclamar da minha esposa, ela entende linha de impedimento! Mas como vamos captar novos clientes para nosso negócio de "assistidores de futebol, de pelada a Champions league", se esse debate nunca acaba?
     Pois então mulheres, tenho uma má notícia para vocês. O futebol precisa de polêmica. A mídia precisa criar lances discutíveis, caso contrário, aqueles programas que vocês nunca entendem porquê nós homens assistimos depois da partida, repetindo tudo que acabou de passar no jogo, não existiria. É parecido com o Candy Crush que vocês jogam: tudo se repete, mas em velocidades e tensões diferentes. E a vida segue. Se eu ligar a tv agora, alguém deve estar debatendo sobre futebol, sejam nos jogos que citei ou no campeonato Senegalês.
     Mas, na realidade, as opiniões polêmicas rodam por todos os lugares. Essa semana assistia Discovery Home Health com minha esposa e sogra (pela simples regra de quem ligou a televisão primeiro). Era um daqueles programas do tipo: "Aquela mulher se veste como um espantalho! Vistam e tratem de maquiar ela com dignidade!" (Coitado do espantalho...). E me chamou atenção o fato de que quanto mais aquele esquadrão da moda (acho que lembrei o nome do programa...) vestia a mulher com roupas mais sofisticadas e maquiagens revolucionárias, minhas amadas mulheres da sala respondiam: " Ficou horrível!", "Nossa, que mau gosto..." , "Esse até que eu gostei..." , "Hum, péssimo!". 
    Então façamos um acordo mulheres: vocês continuam nos vestindo como bem entendem, contrariando muitas vezes os esquadrões, tropas e batalhões de moda que tem por aí, e nós usamos o look moderno para irmos ao bar e assistirmos a próxima rodada do campeonato de futebol. Combinado?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Opinião... De agora em diante.

Meus queridos leitores;

     A partir da presente data iniciarei um novo módulo de postagens no Coluna GE-ral. Em face de tantas transformações, principalmente do universo relacional, decidi criar redações menos informativas e mais opinativas.
     Sendo eu o único escritor do blog, tenho conversado com amigos e percebido que suas solicitações são mais direcionadas ao que penso do que ao que é largamente noticiado. Vejo com grande alegria a vontade dessas pessoas em saber meu ponto de vista. Sinal que há respeito. E sendo assim, buscarei transformar o Coluna GE-ral, exatamente no que seu nome propõe, um espaço onde Gê Ataide escreverá "ao seu ver" assuntos de forma generalizada. 
     E enquanto dirigia meu carro na selvageria que eles também chamam de: trânsito do Rio de Janeiro, entre um pedestre fora da faixa e uma fechada, observava os outdoors, lojas e comentários nos comércios. E foi quando percebi que, falar de tudo, na realidade é quase falar de apenas três assuntos. 
     Esporte, TV, Política... Assuntos corriqueiros mas que sempre ouvimos ou vemos por aí, gostando ou não. O esporte porque fazemos parte de um país onde nossos habitantes tem grande talento para várias modalidades, mas infelizmente a qualidade dos nossos jovens talentos é inversamente proporcional ao investimento do governo. Já entramos na política. Quer mais... Sabemos de todos esses erros, mas preferimos descobrir quais serão as próximas cenas da novela das nove ou se a nova temporada de um seriado enlatado americano já começou. Pronto! Estamos falando de TV.
     Ou seja, está tudo encadeado. Vivemos isto todos os dias. E seja em uma novela de Aguinaldo Silva ou no aclamado The Walking Dead, lá está a crítica social maquiada entre mocinhos ou zumbis. Um dia destes cheguei em casa e lá estava minha esposa vendo o tal de Once Upon a Time. Ela logo disse: "Estou começando a ver um seriado muito bom, vem assistir comigo!".  E vi. Mas sem ser um integrante da seriadomania existente em minha casa, logo desisti. Mas entendi a ideia (ou pelo menos acho... Já que o tal de Lost, terminou sem  que eu entendesse se tinha acabado ou não), mocinhas, vilões e príncipes conectados ao mundo real mostrando que o conto de fadas existe. Mas... Pra que precisamos acreditar em conto de fadas? Resposta política: porque a sociedade sempre precisou de heróis para combaterem seu maior vilão: a corrupção. Por isso nos debruçamos sobre a ideia de um seriado onde a magia resolve tudo, ou em outro onde acreditar que o mundo está enfestado de zumbis será a solução para criar uma nova civilização, mesmo que mais radical.
     Bom, acho que acabei iniciando uma discussão em um texto onde só queria informar algumas alterações neste blog... Só eu mesmo... Mas foi válido. Quem sabe no próximo texto terei a ajuda de Lois Lane. Nessa moda de personagem e mundo real, vai que cola né.


Até.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Qual é a senha?

     O que esperar dos nossos planos de saúde quando mais precisamos? Eficiência? Praticidade? Ou bom atendimento? Bom, se me perguntarem, acredito que responderei ser o somatório dos três. Mas infelizmente ainda falta muito para isso acontecer.
     O discurso parece radical, mas posso dizer com a experiência de um paciente e impaciência de um acompanhante: em meus últimos oito comparecimentos a hospitais e laboratórios cobertos pelo meu plano só consegui excelência em atendimento em apenas um. É isso mesmo, com o perdão da redundância e das letras garrafais necessariamente eu reforço: apenas UM. Mas entre todos os outros sete declínios de serviços prestados vividos anteriormente, onde também destacam-se mais de duas horas para atender uma criança de colo em uma emergência em Vitória - ES, e deixarem minha noiva esperando mais de meia hora em outra emergência completamente vazia em uma madrugada de segunda feira em Jacarepaguá - Rio de Janeiro, o que mais me deixou perplexo foi a tal  história da senha.
     Tudo começou quando necessitei executar um raio x do tórax. Dada a evolução dos exames radiológicos nos últimos anos, imaginei que seria tão fácil quanto comprar pão na padaria da esquina, mas a dificuldade e o descaso dos laboratórios especializados foram tão surpreendentes quanto escutar um padeiro gritar: "Gente! Estamos sem pão pois o trigo acabou..."  Tive três experiências diferenciadas e desagradáveis em menos de uma semana. Em um laboratório fui informado que os agendamentos estão sendo realizados para três meses consequentes; em outro até tentei buscar alguma informação, mas sequer conseguir entrar pela porta e dar dois passos, tamanha era a quantidade de gente e faces mal humoradas fazendo cadastro; no terceiro liguei para os dois telefones disponíveis na internet. Sequer alguém me atendeu. E foi deste momento em diante que a senha entrou na minha vida.
     Em um conceituado e sofisticado laboratório carioca também interligado a uma grande rede de hospitais, consegui algumas orientações; pena que o trigo ainda não havia chegado e meu pãozinho francês ainda viria com dificuldade. O atendente de telemarketing informou: "Senhor o atendimento para raio x não é por agendamento, é por senha. São dezesseis senhas de manhã e outras dezesseis a tarde. O senhor precisa chegar cedo pois elas em muitos casos acabam rápido." Após ouvir aquela recomendação e me projetar para uma fila do SUS, decidi, de forma desesperada, seguir seu conselho, haja vista todo o meu desgaste de experiências anteriores. O que eu não sabia era que meu stresse seria triplicado. Então leiam e entendam amigos, o quanto estamos mal representados por um serviço que lida com o nosso mais precioso bem: nossa saúde.
     Decidi comparecer para retirar a tal senha na parte da tarde. Seguindo a informação de que os papéis eram distribuídos a partir do meio dia e meia, cometi o incrível engano de chegar dez minutinhos depois. Vocês já imaginam o que aconteceu não é? Tentei argumentar a necessidade daquele exame, escutei da atendente a seguinte frase: " O senhor pode sentar e esperar alguma desistência, mas eu não posso garantir nada."  Respirei fundo, mas percebi que nem com meu tórax aberto dificilmente conseguiria alguma compaixão daquela funcionária, que ganha para fazer o que faz. Processos Seletivos... Eficazes... Então no dia seguinte, sacrificando mais uma programação do meu trabalho, resolvi radicalizar! E às dez e cinquenta e sete da manhã, lá estava eu pronto para ser com folga o primeiro da lista. Fui o sétimo... Resultado: vinte reais de estacionamento e mais de quatro horas para conseguir fazer o exame após adquirir a dourada senha da radiologia. Mas a tarde não foi monótona, enquanto aguardava escutava histórias e relatos de outros pacientes revoltados, e acreditem, se eu começar a contá-las, este texto certamente vai virar um livro.
     Diante de toda aquela deficiência gerada por um serviço privado, é impossível não imaginar: será que uma pessoas em situação igual a minha mas atendida pelo sistema público consegue a proeza de executar esse exame a tempo de evitar que sua doença alcance patamares ainda mais delicados?
     O fato de eu não citar os hospitais e  laboratórios onde vivi tanto descaso são pela simples razão de ao escutar depoimentos dos vários pacientes que aguardavam atendimento nesta tarde, cheguei a conclusão que o problema vai além de um plano de saúde ou grupo de saúde privada: é generalizado. E com tudo que passei para conseguir um simples exame de tórax começo a entender o porque tantos amigos e conhecidos seguem uma recorrente e incorreta frase de forma tão veemente: "Hospital eu passo longe! Só procuro quando estou muito doente."

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Dois mil e treze.

    Se perguntarem pra mim o que tenho a dizer sobre 2013 responderei muitas coisas óbvias, mas outras inacreditáveis, muitos casos rotineiros mas também surpreendentes. Histórias que você ouviu, viu, acreditou ou preferiu não crer.
    Vi manifestações pelo Brasil, e o mundo abraçando nossa causa. Vi Dilma ser vaiada em pleno estádio Mané Garrincha; vi jovens em nome da paz e outros representando a balbúrdia. Vi patrimônios depredados, pessoas feridas, policiais violentos, sargentos da PM corajosos, bandeiras com vários pedidos, mas que gritavam apenas uma palavra: melhorias. Vi políticos cassados, envergonhados, irônicos, fujões... Relembramos os mensalões. Representantes públicos doentes na prisão, mas cheios de saúde para a corrupção. Pela Televisão soube da morte de Hugo Chávez. A Venezuela chorava, representantes latinos lamentavam, já Obama pouco falou, mas muito escutou. No Brasil e na Alemanha a espionagem americana causou uma polêmica. Dilma rebateu, Obama, mais uma vez, pouco falou.
     Vi desastres naturais. Enchentes no Brasil, na Europa, fragmentos de meteoro na Rússia. Continuei vendo a guerra no Oriente Médio, ditadores exaltados, ditadores cassados, mais povo em protestos contra seus governos na Ásia, Grécia e Ucrânia. Vi o mundo sofrer com ganância, arrogância, desrespeito. Vi pouca amizade. Brigas de políticos, brigas de torcidas, brigas de jogadores de futebol, brigas de times para não caírem e também de outros para voltarem a subir mesmo sem disputarem campeonatos consequentes. Um deles conseguiu. Vi o termo "tapetão " voltar a ser pronunciado depois de tanto tempo, mas justo ou não, protagonizado pela mesma equipe que popularizou a palavra nos anos noventa. Vi o Santos ser humilhado pelo Barcelona, e embora não seja santista, senti vergonha. Vi o Atlético Mineiro ser campeão da Libertadores de forma magnífica e emocionante, e embora não seja atleticano, senti orgulho. Vi Usain Bolt, perder para um mortal, mas vencer uma máquina. Vi Anderson Silva perder o cinturão do UFC e encerrar o ano com uma grave contusão e uma imensa frustação. Vi as mulheres brasileiras brilhando no judô, vôlei, e até no handebol. Vi nossa seleção de futebol ganhar a Copa das Confederações e alimentar de esperança nossa crença no Hexa. Vi Neymar iniciar sua trilha europeia, Messi não ter uma ano brilhante e Cristiano Ronaldo ter razões para acreditar que o ano foi seu.
    Vi o Papa Francisco protagonizar uma belíssima Jornada Mundial da Juventude no Rio de janeiro, vi a solidariedade, me vi solidário. Vi a banda Charlie Brown Jr. perder Chorão e Champion, parece que é o fim. Emílio Santiago se despedir, assim como Reginaldo Rossi. Vi Nélson Mandela nos deixar, mas sua mensagem ecoar. Acho que ele partiu feliz.
     Talvez tenha sido o que mais vi em 2013. Queria ter visto mais justiça, mais solidariedade, mais paz, mais respeito com os doentes, menos doença e mais alegria. Mas nossos desejos para 2014 estão presentes para acreditarmos que o bom pode melhorar e o que foi ruim faz parte da vida, mas também de nós para mudar. E que com certeza podemos e devemos fazer a nossa parte para alterar o que foi ruim, rever o que foi polêmico e acreditar nos nossos atos.
FELIZ 2014 A TODOS!

sábado, 17 de agosto de 2013

A novela política continua.

     Certamente muitos de vocês viram ou ouviram falar da novela "O Salvador da Pátria". Mas para quem nunca ouviu comentários ou não se interessou (algo difícil mediante o sucesso desta teledramaturgia) segue aí uma breve apresentação. A história gira em torno do inesquecível personagem interpretado por Lima Duarte, Sassá Mutema, um bóia-fria que acaba sendo manipulado pelo deputado Severo Toledo que faz com que Sassá case-se com sua amante Marlene afim de que seu adultério seja cada vez mais camuflado. Mas após a morte de sua "esposa" e do corrupto jornalista Juca Pirama, que descobriu o casamento fajuto e explorou das piores formas possíveis o fato na mídia, o bóia-fria acaba sendo o principal suspeito do assassinato. Tempos depois quando sua inocência é provada, nosso protagonista passa a ganhar fama e é aclamado pelo povo. Assim, os políticos começam uma tentativa de fazer de Sassá o prefeito da cidade, mas ele acaba ganhando poder e conquistando posição política própria para revolta dos políticos. A novela muito famosa na época pela história romântica de Sassá Mutema e a "professorinha" Clotilde, também foi de uma riqueza impressionante para abordar situações políticas e corruptas infelizmente recorrentes até hoje.
     Pois é... De 1989 (ano da novela) para 2013 foram vinte e quatro anos, e em 2014 quando esse sucesso comemora exatamente duas décadas e meia, o Brasil poderá prestar uma irônica homenagem a esta querida novela global: a tentativa de eleger para nós um "Salvador da Pátria".
 
Sassá Mutema nos braços do povo na clássica novela de 1989.

O cálculo é simples: manifestações + revolta com os políticos consagrados = procurar nos novos valores de ficha limpa e apoio popular, um aliado para continuar comandando a máquina pública. Sabemos, na realidade que existem novos políticos que já surgem no cenário mal intencionados, mas que também existem os que aparecem sem sequer entender como funciona o jogo da política, chegam apenas na intenção de buscarem melhorias para os princípios básicos como educação e transporte. E estes devem ser os maiores alvos dos presidentes de partidos e outros poderosos políticos.  Nosso querido Sassá Mutema foi um inocente que em mãos ambiciosas transformou-se em um verdadeiro boneco de fantoche. Mas nesse caso os vinte e cinco anos evoluíram também para o errado. Não será um analfabeto a nova aposta dos políticos. Ele pode até não entender de ciências sociais, mas deve ter uma postura revolucionária, deve ser oriundo de grêmios estudantis, ser um líder nato e arrastar pessoas para reivindicarem seus direitos. Sim. Ele terá o perfil de um manifestante.
     E essa será a dificuldade. Quem representará o povo e quem estará a favor da manutenção do modelo político atual, haja vista que os dois terão o mesmo perfil? É... Para aqueles que pensavam que estas eleições seriam as mais fáceis podem ter se enganado completamente. Novas siglas surgirão, militantes do passado retornarão, nomes de partidos menores ganharão força e é claro que os gigantes da política nacional já estão cientes disso e prontos para contra atacar. Por isso, tomem muito cuidado em 2014! Afinal de contas, Salvadores da Pátria já tivemos muitos candidatos, e de inocentes como nosso querido Sassá Mutema, eles não tinham literalmente nada.


Imagem: http://contigo.abril.com.br
    

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MANIFESTAÇÕES. A LUTA NÃO É A VIOLÊNCIA.


fonte: http://carmenamaral-abracodeluz.blogspot.com.br
      Em Brasília, a rampa do Congresso Nacional foi tomada e os invasores são ovacionados por outros manifestantes. Certamente um momento que entrará para a história. No Rio, A avenida Rio Branco conseguiu mobilizar milhares de pessoas, visto apenas no carnaval com o Cordão do Bola Preta. Os momentos, os protestos, tudo na realidade já começa a marcar uma página que os principais líderes do nosso país não gostariam de estar participando. A voz da sociedade, gente de todas as faixas etárias protestando, cansadas de apenas assistirem, e sim mostrando que o país tem opinião. Nossa jovem democracia de apenas trinta anos de idade começa a apresentar sinais de um belíssimo amadurecimento.
     Mas infelizmente muito ainda precisa ser aprendido. No Rio, um veículo foi incendiado. O mesmo ocorreu também em alguns pontos da Assembléia Legislativa do Estado (Alerj), no Centro. Manifestantes mais exaltados apedrejaram o local quebrando vários vidros. Alguns grupos punk's em outros estados pregam a anarquia, tentando incitar a violência. Desnecessário...
     Existem duas correntes: a que nos dá orgulho e a que nos gera vergonha. Muitos em meio a violência gritam pela paz, mas parece que uma minoria pensa que baderna é democracia. Por isso este grupo que se aproveita de uma festa democrática para incentivar tragédias e bater carteiras deve ser identificado, e severamente punido.
O que deve prevalecer é a vontade de fazer o respeito à população ser valorizado. A PEC 37, o aumento das passagens de ônibus, melhorias na saúde, na educação são temas que merecem protesto. Mas somos a voz, não o vandalismo. Aprender uns com os outros é um privilégio, e temos uma oportunidade fantástica de ensinar nossas futuras gerações a gritar em coro seus direitos. Por isso ver um prédio do século XVII como a Alerj às escuras e em meio a um cenário de guerra, é triste. É nosso patrimônio...
     O que se espera é que neste momento seja valorizado o orgulho de ser brasileiro, de exigir pacificamente nossos direitos. Até agora esta é a maior manifestação já registrada no país, com alcance e até mesmo apoio mundial. Que seja marcada por paz e não por sangue.